06 janeiro 2012
2011 Europa
Os Bon Jovi fizeram a sua segunda paragem na Europa em 2011 na cidade alemã de Dresden e a cidade histórica não poderia pedir mais.
A digressão Open Air, que percorreu os estádios da Europa em 2011, é um resumo de uma carreira de 27 anos. Sucessos como Bad Name, Keep the Faith, It's my life ou o mais recente We Weren't Born to Follow desfilam ao longo de duas horas e meia, dentro das quais a banda teve ainda tempo para incluir um set acústico à frente da zona Diamond, medleys de clássicos, como Roadhouse Blues ou Star Me Up, ou ainda momentos épicos para os fans como os inpiradores Undivided e Something to Believe In. No total foram tocados temas de 10 dos 11 albuns de originais da banda, que ainda teve espaço para incluir músicas inéditas dos seus dois Greatest Hits editados.
Durante o tema Lay Your Hands on Me, houve tempo para um solo de duas guitarras, enquanto que I'll Be There for You teve direito a uma versão magnífica, cheia de sentimento e com muita participação do publico. Já no encore, Blood on Blood foi um clássico que deixou todos rendidos, enquanto Livin on a Prayer encerrou o concerto com Jon Bon Jovi a dar a volta final de agradecimento aos fans e umprimentando-os. Em suma, a banda está no topo de forma e, em 2011, afirma-se como provavelmente a melhor do mundo da música em termos de espectáculo ao vivo.
Os temas tocados na perfeição, as surpresas, a interacção com o público ou os efeitos especiais, num ecrã gigante que ocupa todo o fundo do palco, poderiam ser já suficientes. Mas se juntarmos um Jon Bon Jovi super comunicativo e que irradia boas vibrações, não restam qualquer dúvidas: estes são os verdadeiros heróis do Rock em 2011 e apresentam o espectáculo mais completo da indústria.
Munique, 12 de Junho de 2011
A Alemanha viu o seu 2º concerto acontecer na cidade de Munique, cidade conhecida pelo festival da cerveja e pela sua dedicação à banda de New Jersey. A primeira meia hora do concerto foi transmitida pela internet para todo o mundo e, por isso, a banda não quis desapontar. Todos os fãs ficaram surpreendidos com o tema inicial: Raise your Hands, tal como acontecia em 1986/87, mas à medida que o concerto foi avançando, notou-se que a banda optou por um alinhamento mais seguro, cheio de sucessos.
Durante o tema Bad Medicine os Bon Jovi prestaram tributo à lendária banda Alemã Scorpions com o tema "Rock You Like a Hurricane", provando que não estão apenas à vontade com o seu próprio reportório.
O tema When We Were Beautiful, resultou na perfeição com o vocalista entre as secções Diamond e Gold, enquanto que durante Bed of Roses surgiram alguns problemas com os microfones e Jon Bon Jovi teve de experimentar vários, facto que serviu para algumas piadas durante a canção. O agora obrigatório "I'll Be There For You" acabou por se tornar um dos pontos altos da noite com o vocalista a adicionar alguns versos à balada, enquanto que a audiência participava entusiasticamente.
A surpresa da noite acabou por ser "Bells of Freedom" tocada numa versão acústica pela segunda vez na digressão. Durante o resto do main set, apenas a sempre apreciada versão eléctrica de Someday I'll Be Saturday Night causou alguma surpresa. Para o encore foram deixadas algumas das canções mais emblemáticas do quarteto Norte Americano: Dry county e Always, ambas tocadas com profissionalismo e paixão. Depois da apóteose de Livin' on a Prayer a banda não foi capaz de resistir a uma multidão de mais de 70 000 pessoas e ofereceu dois dos temas mais apreciados pelos fãs: These Days e Blood on Blood
No total foram mais de três horas cheias de sucessos, sem grandes surpresas é verdade, mas uma atmosfera contagiante em que cerca de 75 000 pessoas celebraram as canções dos Bon Jovi.
Oslo, 15 de Junho de 2011
A digressão escandinava dos Bon Jovi teve o seu início na capital da Noruega, Oslo, dia 15 de Junho e quem teve a honra de fazer a primeira parte foi nada mais, nada menos que um velho conhecido de Jon Bon Jovi: Billy Falcon, co-autor de muitas das canções do grupo e a solo. O som característico de Nashville, tocado pela composta banda que acompanhava o músico, animou as hostes enquanto o cantor não parava de fazer referências ao amigo que iria subir ao palco momentos mais tarde.
Os Bon Jovi mais uma vez começaram o concerto com a grande energia do tema Raise your Hands, que abriu caminho a sucessos como Bad Name, Born to Be My Baby ou We Weren't Born to Follow. A chuva começou a fazer-se sentir, mas ao contrário do que tudo poderia apontar, o vocalista e mentor do grupo ficou ainda mais animado, aproveitando o tema It's My Life para percorrer toda a passadeira que circunda os fãs que se encontram na área Diamond, pedindo a todos uma maior participação.
Alguns temas depois, surge a primeira grande surpresa da noite: Damned, o tema funk do álbum These Days que raramente é incluído no alinhamento dos concertos da banda. A performance incluiu ainda parte do tema If Loving you is Wrong, I Don't Want to be Right, que levou todos os fans à histeria. O concerto continuou e a cada tema a banda imprimia mais e mais energia até que chegou a apoteose de Bad Medicine, durante a qual a banda não resistiu e adicionou os medleys Hot Legs e Pretty Woman. Pouco depois, Jon Bon Jovi e Richie Sambora tomaram a passadeira para mais uma interminável interpretação de I'lll be There for You.
A surpresa seguinte deu-se pouco depois com o tema Love's the Only Rule, durante o qual os fãs ecoaram os coros, enquanto Jon Bon Jovi enchia os pulmões com discursos sobre um mundo melhor. Para o encore, a banda deixou as maiores surpresas: Wild is the Wind, do álbum New Jersey de 1988, tema muito querido pelos fãs mais acérrimos e a pedido da audiência I'd Die for You, tema há muito não interpretado pela banda, originalmente incluído no album que deu a conhecer ao mundo os Bon Jovi: Slippery When Wet. Já na recta final, não faltaram os obrigatórios Wanted Dead or Alive e Livin'on a Prayer, as quais foram cantadas por um estádio completamente lotado e que provou que a banda de New Jersey continua a ser muito popular neste país do norte da Europa.
Helisinquia, 17 de Junho de 2011
Depois de um dia magnífico de sol e calor na capital da Finlandia, Helsinkia, as nuvens começaram a aparecer e quando os Bon Jovi entraram em palco, já a chuva se fazia sentir. O concerto foi bastante energético apesar de com poucas surpresas. Durante a primeira hora apenas Lost Highway e o muito antecipado Shout entraram no alinhamento.
Quando os fãs começaram a ouvir as primeiras notas de Love's the Only Rule, o entusiasmo aumentou, demonstrando que nem só de velhos sucessos vive o quarteto de New Jersey. No entanto, durante a actuação, num golpe infeliz, o vocalista Jon Bon Jovi não apoiou suficientemente bem um dos pés e, mesmo perante os meus olhos, soltou um grito de dor depois de lesionar um dos seus joelhos. A dor que o vocalista sentia era evidente, mas mesmo assim, Jon Bon Jovi tentava puxar pelo público, não falhando uma nota e no fim da música ainda consegiu chegar à parte central da passadeira. Daí em diante, os fãs demonstraram ainda mais apoio e admiração, pois perante eles estava um homem acabado de se lesionar e que, mesmo assim, lutava para cumprir todas as músicas que tinha programado tocar.
O tema que abriu o encore não poderia ser mais adequado, Thorn in My Side, do último registo de originais, The Circle, de 2009, dado que a lesão de Jon foi uma recaída de um velho problema que tem vindo a afectar o vocalista durante já alguns anos. A pedido de muitos dos fãs, a banda repetiu Wild is the Wind, depois da estreia do tema no concerto anterior, terminando com o emblemático e sempre muito participado Livin on a Prayer.
O concerto terminou com um dilúvio de chuva que se abateu sobre o estádio olimpico de Helsinquia, mas mais do que tudo, foi o respeito pelos homens que, apesar das contrariedades, quer da intensa chuva, quer da lesão, não quiseram parar e deram o melhor de si mesmos.
Londres, 25 de Junho de 2011
Foi num sábado invulgar de sol em Londres que os Bon Jovi regressaram a Hyde Park, 8 anos após terem actuado neste local mítico da capital do Reino Unido. A multidão era a perder de vista e depois de Ray Davis e outras bandas mais ou menos conhecidas terem dado o pontapé de partida para uma tarde noite de Rock’n’Roll, foi a banda de New Jersey que fez todos virarem as suas atenções para o gigantesco palco e começarem a abanar ancas e cantar os hinos de 3 gerações. Jon Bon Jovi estava debilitado devido à lesão que sofrera uma semana antes, mas o irrequieto e talentoso lider do grupo não se poupou e conduziu uma maratona de três horas em que os êxitos foram o prato forte. De facto quem não soubesse poderia apenas ficar intrigado com a muleta com uma caveira na ponta ou a tala que o vocalista usou na sua perna lesionada, pois (mesmo que ao pé cochinho) correu de uma ponta à outra do palco, exigindo mãos no ar e muitos coros durante a actuação.
O espetáculo começou com Raise your hands, típica abertura na Europa, que cativou de imediato os mais de 90 mil presentes que ergueram os braços assinalando que eram os Bon Jovi que os tinham feito ir ao Parque naquele sábado. You Give Love a Bad Name e Born to be my Baby seguiram-se e já não eram apenas as mãos no ar, como também as gargantas que mais ou menos desafinadas cantavam a uma só voz refrões que há mais de duas décadas fazem as delícias dos apreciadores de hard rock. We weren’t born to folllow foi o regresso dos anos 80 para 2009 e o último registo de originais da banda, no entanto toda a parte cénica dos videos projectados no ecrã gigante que preenchia o fundo do palco perdia-se devido ao sol que batia de frente e impedia que a assistência pudesse ver as referências às personagens míticas da história da humanidade que como a música refere, não desistiram e superaram-se, sendo pioneiros nas actividades a que se dedicaram. O tema título do álbum de 2007, Lost Highway, seguiu-se e era nítido o prazer com que toda a banda interpretava o tema, incluindo mesmo um twist depois do solo de guitarra que evidenciou o entrosamento que os 18 meses seguidos de estrada deram aos músicos. A audiência era abrangente e por isso não havia tempo para muitas conversas ou mesmo temas menos conhecidos, e assim desfilaram êxitos após êxitos, desde “Lay your hands on me” com um solo a duas guitarras adicional, ao festivo It’s My Life, passando pela melodia de In These Arms, o momento sempre épico de Blaze of Glory, o muito Pop Captain Crash, ou uma já muitissimo rodada versão de Bad Medicine com 10 minutos que ainda incluiram alguns versos e refrões do clássico Pretty Woman de Roy Orbison. Chegado o segmento das baladas, Jon Bon Jovi demonstrou o bom estado da sua voz e ecoou Hallelujah de Leonard Cohen sem mácula, acompanhado apenas pelas teclas de David Bryan. Seguiu-se When we were Beautiful, criando atmosfera para a maior balada dos anos 80, I’ll be There for you, a qual pôs termo à parte mais tranquila de todo o concerto. Era então altura de recomeçar a festa e nada melhor que Who Says you can’t go Home e I’ll Sleep when I’m dead para animar os presentes. Deu-se então a maior surpresa da noite, Hey God, um tema que trouxe à memória o concerto de 1995 no já demolido estádio do Wembley e que para sempre foi imortalizado no video Live from London. Parecia estarmos a viajar no tempo tal o brilhantismo com que a banda se entregava a esta grande malha de guitarra. Sem lugar para mais temas menos conhecidos, foi com Have a Nice Day e Keep the Faith que chegou ao fim o main set e os músicos despediram-se pela primeira vez.
Todos pensavam que por se tratar de um festival a banda não se podia alongar, mas os Bon Jovi não se quiseram ficar atrás do seu conterrâneo Bruce Springsteen que 2 anos antes deixou o mesmo palco apenas depois de 3 horas de concerto. Assim também os Bon Jovi quiseram deixar a sua marca em Hyde Park e para isso escolheram uma selecção de singles e músicas particularmente acarinhadas pelos fans para a recta final. Desde os 10 minutos de um épico Dry County intepretado majestosamente, à esperança de Someday I’ll be Saturday Night, passando pela amizade de Blood on Blood, a paixão de Always, o desespero de These Days, sem esquecer os obrigatórios Wanted Dead or Alive e Livin’ on a Prayer, o desfile dos temas mais acarinhados só acabou quando a hora do afamado curfew já tinha passado e a banda apenas só tinha uma frase apenas para acrescentar: I Love this Town. Foi assim um dos concertos mais épicos da história não apenas da banda ou do festival, mas de todos os presentes que provavelmente ouviram as 3 horas com mais êxitos das suas vidas, interpretados por uma banda de bar que não se cansa de dar voltas ao mundo para demonstrar como incendiar uma plateia e dar significado ao que um concerto de Rock realmente é.
Dublin, 30 de Junho e 1 de Julho de 2011
Depois de uma estadia de apenas 18 horas em Londres e um passeio de três dias pela Irlanda profunda, lá estava eu de volta à digressão Europeia dos Bon Jovi para mais dois concertos na cidade de Dublin, onde a banda iria terminar a sua primeira parte da digressão Europeia no recinto histórico da cidade, o velho RDS..
A primeira noite, supostamente para a interpretação dos grandes êxitos, não desapontou e os roqueiros de New Jersey deram um grande espetáculo com a versão de Not Fade Away no meio de Bad Medicine, juntamente com brilhantes versões de Just Older, Love’s the only Rule, Dry County, Always e These Days. O resto do concerto não deixou de ser brilhante, mas acabou por agradar mais aos fans generalistas que sem dúvida apreciaram temas como Born to be my Baby, Blaze of Glory, Bed of Roses, Captain Crash and the Beauty Queen from Mars ou We got it goin’ On.
Mas se o primeiro round era apenas para agradar aos fans ocasionais, o segundo ficaria conhecido pelas músicas raras que iriam ser interpretadas durante a noite. A banda começou com Bounce e desde logo se percebeu que iria ser uma noite especial. Duas das músicas obrigatórias, Born to be my Baby e Captain Crash, foram deixadas de fora, dando lugar a músicas mais acarinhadas pelos fans como Damned e Happy Now. O âmbiente era de êxtase e a audiência via que a banda se queria divertir e dar o melhor ao seu público, já que além dos locais, também fans de todo o mundo participavam no evento dado que o clube de fans oficial tinha escolhido Dublin como destino Europeu para a sua tradicional Fan Club Trip. No meio de I’lll Sleep When I’m Dead a banda deixou um pouco de Star me Up dos Rolling Stones, enquanto que em Bad Medicine aventurou-se com um pequeno treixo de Vertigo dos Irlandeses U2. No segmento mais calmo do espetáculo, Jon Bon Jovi atreveu-se a aceitar o desafio dos fans e interpretou Never Say Goodbye, seguido pouco depois por Love for Sale. Foram também tocados Squeeze Box dos The Who e (You wanna) Make a Memory, para que os Irlandeses não pudessem queixar-se da falta de variedade de qualquer êxito que por ventura pudesse ter ficado de fora até então. A interpretação de Blood on Blood foi épica, tirando definitivamente qualquer dúvida de que o concerto seria para mais tarde recordar. Mas os temas raros não se ficaram por aqui e Hey God, Always e Someday I’ll be Saturday Night ouviram-se durante a noite para rejúbilo dos fans, O tema Love’s the only Rule encerrou a noite, provando ser um épico que conseguiu fechar as duas maratonas na cidade Irlandesa com chave de Ouro. No fim a banda provou que sabia exactamente o que os seus fans queriam ouvir com mais de 45 temas diferentes e muita diversão à mistura durante dois concertos numa Dublin cheia sol a brilhar e um âmbiente de festa como apenas os Irlandeses sabem patrocinar.
Vienna, 20 de Julho de 2011
Depois de terminada a digressão na Alemanha era tempo dos Bon Jovi rumarem à capital Austríaca para um concerto esgotado no estádio da cidade numa sexta-feira à noite.
Este foi um concerto diferente para mim, pois pela primeira vez assisti em general admission, o que significa que não poderia estar mais longe do palco num concerto na Europa sem lugares marcados. Apesar da distância e desconforto dos primeiros minutos, rapidamente me adaptei a esta nova circunstância, e comecei a curtir um dos concertos mais longos e cheios de surpresas da digressão. A banda entrou com toda a energia e disparou de imadiato os habituais singles e clássicos que todos cantaram a uma só voz, estabelecendo desde logo a atmosfera festiva.
Durante a primeira hora fomos surpreendidos com o semi regular Superman Tonight, que apesar de constar em muitos dos concertos da digressão, nesta fase já não era assim tão habitual. Mas a surpresa maior deste inicio de concerto foi mesmo Radio saved my life tonight que depois de ter sido extreada na Alemanha, foi mantida e mais uma vez provou ser uma grande malha que agrada não apenas aos mais fieis, como aos fans ocasionais. A sequência para Runaway com a introdução da máquina do tempo foi perfeita e nesta altura já ningém conseguia parar banda e público, ambos on fire e a quererem prolongar uma noite de diversão. Durante Bad Medicine fomos surpreendidos com Wild Thing, na única interpretação do tema duranre toda a digressão, ninguém conseguia parar, o clima era inacreditável e a festa era de arromba.
Era então tempo de parar um pouco para recuperar o folego e (You wanna ) make a Memory e Hallelujah permitiram isso mesmo. Se a primeira acalma os ânimos e estabelece um ambiente mais reflectivo, a segunda demonstra a excelente condição vocal do líder do grupo. Mais uma vez a balada I’ll be There for You serviu para voltar aos cânticos a uma só voz e para arrancar para o muito ritmico e animado segmento que só terminou com a saída de palco de todos os músicos. Neste segmento não foram tocadas músicas raras, mas o sempre bem disposto Who says you can’t go home teve um pequeno twist em que a banda surpreendeu o seu público habitual. E quem consegue ficar indiferente a I’ll sleep when i’m dead e Someday i’ll be saturday night? Seguidos dos sempre favoritos Have a Nice Day e Keep the Faith. Estavam decorridos 2 horas de concerto e a noite chegava com o primeiro encore.
A banda regressou com Whole lot of leaving que apesar de ter sido regular durante a digressão, raramente foi tcado durante o encore. A melodia crescente provou que a posição deste tema a abrir o encore era mais uma aposta ganha da banda. O encore contou ainda com Thorn in my side, um tema apaixonante, principalmente pelo solo final a duas guitarras. Grande malha! Blood on Blood foi também uma agradável surpresa, o qual antecedeu a mais que esperada Livin’ on a Prayer.
Depois de 5 músicas no encore era dificil esperar mais. A banda estava divertida e ninguém estava preparado para o que aí vinha. Depois de agradecer, a banda regressou aos seus postos e a pedido dos fans mais dedicados deixou Wild is the Wind, seguido de Always, para o grande público, e finalmente These Days que encerrou um concerto de 28 temas e cerca de 3 horas, durante o qual os Bon Jovi conquistaram a belissima cidade de Vienna.
Este foi sem dúvida um dos grandes concertos da digressão, pois além dos êxitos e raridades, banda e público estavam em sintonia, sendo que a primeira presenteou a segunda com dois encores de 8 temas, em que qualquer uma das músicas escolhidas para prolongar o concerto faz parte do conjunto de favoritas de qualquer fan da banda.
Brugge, 22 de Julho de 2011
Apenas com um dia de viagem depois do concerto de Vienna, foi já no dia do concerto que cheguei à pequena cidade de Brugge a norte da Bélgica, onde os Bon Jovi já tinham tudo pronto para actuarem num enorme areal com o mar ao fundo. Infelizmente o clima não ajudava e o frio persistia em não deixar-nos equipar a rigor para o cenário. No entanto, à medida que os fans foram entrando e a hora do concerto se foi aproximando, o tempo foi melhorando ligeiramente e acabou por ser uma experiência bastante divertida. Fans sentados em cadeiras insufláveis numa imensa área em que era impossível ignorar a areia e as dunas....
O concerto além da particularidade de ser na praia decorreu por completo durante o dia, o que retirou algum do encanto e não deixou que muitos dos efeitos do palco, principalmente ao nível do ecrã gigante, pudessem ser disfrutados na sua plenitude.
Quanto ao concerto em sí, a banda arrancou logo com uma surpresa Happy Now, um dos temas raros do último disco de originais, The Circle. Os fans foram também surpreendidos pelo tema Blood on Blood que surgiu logo no inicio do concerto, substituindo o sempre obrigatório Born to be my Baby. Lost Highway e Raise your Hands também marcaram presença, mas a pouco e pouco era notório que o público não era dos mais calorosos. Apesar do cenário único e de temas conhecidos como It’s my Life ou Bad Medicine, a banda apercebeu-se que não seria um concerto épico. No entanto além dos grandes êxitos como Bed of Roses, que nem sempre tem lugar no alinhamento, a banda acabou por surpreender com alguns temas raros como The more things Change, incluído no Greatest Hits de 2010, Garadgeland, da box set de 2004, ou as favoritas dos fans Wild is the Wind e Never Say Goodbye já no encore.
O concerto acabou assim com 22 temas e pouco mais de duas horas, durante as quais a banda provou que sabe variar alinhamentos e que mesmo com públicos menos participantes consegue agradar.
Pessoalmente, o concerto acabou por valer muito pela atmosfera e cenário, mais do que propriamente pela interacção com o público ou prestação da banda, que apesar de ter surpreendido com mudanças significativas no alinhamento, não conseguiu transmitir a a força e energia que tinha visto duas noites antes em Vienna e que felizmente ainda viria a ver em Lisboa. É verdade que é impossível correr tudo sempre bem a uma banda que toca cerca de 4 concertos por semana durante nove meses, no entanto é interessante perceber que entre Vienna e Brugge a diferença foi maior que os 6 temas que faltaram no segundo concerto. A garra e paixão que a banda habituou quem já os viu num bom dia, não deixou de se fazer sentir. No entanto para a grande maioria da audiência acaba por ser mesmo assim um grande concerto e prova disso são os rasgados elogios que se vêm nos jornais nos dias seguintes ao concerto, o que prova que a banda tem neste momento um nível de entrosamento e profissionalismo que justifica os números das suas digressões e o porquê de serem uma das melhores bandas ao vivo da actualidade.
Lisboa, 31 de Julho de 2011
Depois de completarem a mais longa digressão dos últimos 15 anos, na qual os Bon Jovi passaram por Austrália, América do Sul, Ásia, América do Norte e Europa, inaugurando estádios ou mantendo uma arena esgotada durante 12 noites, enchendo desde pequenos teatros a estádios e parques com multidões sem fim, foi em Lisboa que o círculo ficou completo e a banda de New Jersey brindou o seu público com um concerto épico.
Os êxitos não faltaram desde o começo festivo de Raise your Hands, passando pelos obrigatórios Bad Name, It's my Life ou Bad Medicine que incluiu um medley dos temas GLORIA e Pretty Woman. David Bryan, teclista e membro fundador da banda, encarregou-se de cantar o segundo verso do êxito In These Arms, enquanto que o primeiro verso do clássico Wanted Dead or Alive foi entoado pelo público, ficando o segundo a cargo do guitarrista Richie Sambora. Durante Captain Crash and the Beauty Queen from Mars os confetis encheram as primeiras filas, enquanto que os temas Have a Nice Day e Keep the Faith trouxeram os maiores efeitos especiais ao ecrã gigante que permitia que mesmo a pessoa que estivesse mais longe do palco visse as expressões dos membros da banda como se estivessem mesmo a seu lado.
I'l be There for you foi um dos temas mais celebrados da noite, enquanto que a balada Always foi entoada em plenos pulmões por todos os presentes e abrilhantada por um extenso solo de guitarra. Nem os temas raros faltaram a este concerto, desde Get Ready do já longinquo primeiro álbum de 1984, passando por (It´s Hard) Letting You go, This ain´t a Love Song e These Days do álbum aclamado de 1995, Any other Day do álbum Lost Highway que permitiu a Bobby Bandiera, David Bryan e Richie Sambora brilharem com solos, e a mais pedida de todas as músicas (milhares de folhas encheram a Bela Vista), I Believe. A festa falou por sí e os cerca de 60 mil presentes dificilmente irão esquecer esta grande noite de Rock n Roll.
Na noite que antecedeu o concerto na capital Portuguesa, a talvez mais mítica sala de espetáculos Lisboeta, o Coliseu, recebeu banda, crew, staff e alguns fans seleccionados para uma festa de fim de digressão. Esta festa teve lugar no palco da sala de espetáculos, a qual estava configurada de forma a que as belas bancadas ficassem por detrás de uma banda liderada por Bobby Bandiera que tocou velhas malhas do Rock n Roll para entreter os presentes. Antes deste momento músical, o anfitrião Jon Bon Jovi dirigiu-se a cada uma das mesas, agradecendo pessoalmente a presença, o esforço e dedicação durante os 18 meses que decorreram desde o inicio da digressão. Passado essa introdução à festa, os 4 músicos que compõem a banda dirigiram-se ao palco e num discurso caloroso agradeceram a todos os presentes, sublinhando o sentimento de família que querem que persista entre os membros da organização e referindo que em seguida iriam proceder à entrega dos emblemáticos medalhões, os quais apenas aqueles que trabalham por mais de duas digressões têm direito a receber, e que desde o álbum Slippery When Wet já foram distribuídos a mais de 100 pessoas.
O momento de solenidade foi concerteza um dos mais altos que tive a honra de assistir, pois apenas o círculo mais próximo da banda se encontrava presente. Cada um dos presenteados sorria para fotografias divertidas com os elementos originais da banda e eu não podia acreditar que toda uma cerimónia que tinha lido e ouvido 1001 relatos e que é mítica para a banda, estava a acontecer mesmo à minha frente.
Terminadas as formalidades, a festa podia começar com comida, bebida e música de uma banda de músicos de New jersey que animaram as hostes com clássicos de sempre. Enquanto isso fans, crew, staff e a própria banda confraternizavam divertidos, sendo Jon Bon Jovi assediado para uma sessão fotográfica que durou toda a noite. Entre uma pista de dança em que pessoas com mais ou menos alcool dançavam ou encorajavam outros a faze-lo, proporcionaram-se ainda alguns momentos divertidos de convívio como por exemplo a épica fotografia em que Jon Bon Jovi se junta aos seus dois irmãos numa foto de família. Pessoalmente o momento da noite aconteceu quando me apercebi que o líder e mentor do grupo se encontrava a escassos 3 passos a observar a banda que tocava, depois de ter tirado algumas fotos ele mesmo. Não resisti e dirigi-me a ele, comentando sobre o possível alinhamento da noite seguinte no concerto de encerramento da digressão. Apesar de cansado, mostrou-se interessado e respondeu cuidadosamente uma a uma a cada uma das sugestões que lhe fui apresentando. O tema 99 in the Shade não suscitou grande interesse, tal como a introdução original de Lay your hands on me. No entanto ao desafio de tocarem algo do primeiro álbum, ele respondeu com a minha preferida: Get Ready, sem que eu proprio tivesse mencionado a canção. Apercebendo-se do tópico da conversa, muitos fans aproximaram-se e gerou-se algum burburinho, o qual foi resolvido através de um pequeno quiz em que o músico dizia duas músicas e os fans elegiam a que preferiam. No fim ele pediu-nos para apontar-mos os temas mais pedidos e entregamos-lhe uma compilação do que os fans ali presentes mais queriam ouvir. Entre outras Any Other Day, (It's hard) Letting you Go, Get Ready, I Believe e This ain't a Love Song. Ainda haveria tempo para que o vocalista subisse ele próprio ao palco para interpretar GLORIA, convidando os fans para se juntarem a ele no palco. nesta altura Obie O Brian tocava bateria numa confraternização sem precedentes. A banda sairia pouco tempo depois, deixando uma festa divertida em que os participantes relaxavam descontraidamente ao som de música ambiente, já que a banda também já tinha dado por encerrado o seu alinhamento.
E foi assim em apoteose que acabou uma digressão com mais de 130 concertos e que permitiu ao público Português voltar a ver os Bon Jovi em nome próprio e com toda a sua produção desfilarem hinos de gerações numa épica noite quente de Verão em Lisboa. Para mim esta digressão foi assinalada por momentos inesqueciveis desde pedidos de músicas que me foram concedidos, as últimas fotografias que me faltavam com elementos da banda, interacções directas com elementos da banda ou muito próximos e, principalmente, o sentir-me parte de todo aquele circo que percorre o mundo todo e que leva a magia de uma noite divertida com grandes clássicos de Rock a mlhões de pessoas. Mais que música ou entretedimento, os Bon Jovi continuam a fazer sonhar e a lutar milhões de fans que mantéem a fé e quase 30 anos depois ainda "Livin on a Prayer"!!!
30 dezembro 2011
Hope Concert @ New Jersey no Natal de 2011
Quer em Central Park, com o seu ringue de patinagem, jardim zoológico acolhedor ou épica paisagem de natureza urbana; Times Square onde é impossível não nos depararmos com centenas, ou milhares, de locais e turistas sob a área com maior concentração de neons de todo o mundo; Rockfellar Center com a árvore de Natal mais famosa do planeta, ringue de patinagem e um imenso aglomerado de pessoas que tentam captar a magia do local; é impossível evitar a grandiosidade da cidade nesta época do ano. É como que se todo o mundo se concentrasse em apenas 2 praças e numa dúzia de ruas as quais caracterizam a zona de mid town de Nova York!
Da cidade agitada onde tudo é apressado e não há tempo a perder, apanhámos um comboio em direcção a Sul. Passámos pela cidade de Newark, muito indústiral e o seu aeroporto internacional, e à medida que avançavamos no nosso percurso cada vez apareciam mais nomes familiares nas paragens. Primeiro Perth Amboy, depois Woodbridge e apenas a alguns minutos da nossa paragem final Middletown. A viagem demorou cerca de hora e meia, mas a diferença entre a cidade grande que é Nova York e a pequena localidade de Red Bank constitui talvez uma das maiores riquezas dos Estados Unidos da América.
Red Bank é de facto uma localidade pequena, no entanto prima pelo seu charme e sofisticação. Com adornos impecáveis para a época do ano, Broad Street, a rua principal, encanta os seus visitantes com montras piturescas. Quer no Starbuks, Jack Music Shop ou num dos muitos restaurantes de classe ou acolhedores dinners, a localidade é como que retirada de um conto de fadas.
Depois de um dia de sol, o teatro centenário a que foi dado o nome do famoso músico de Jazz Count Basie iluminou-se para uma noite esgotada. Lendas locais juntaram-se a novas gerações para angariar dinheiro para uma boa causa social. A produção músical estava entregue a Bobby Bandiera, um veterano músico da Jersey Shore. Tim McLoone e os Shirleys abriram a noite com 3 temas que serviram para aquecer o público, antes dos discursos divertidos mas eloquentes do CEO do Teatro e do Mayor da localidade. Chegava então a altura do grupo principal subir ao palco, e foi o próprio Bandiera que se encarregou do microfone, quebrando de imediato o gelo. A banda contava com Hugh McDonald no baixo, um músico bastante familiar, visto que durante os últimos 15 anos tem gravado e tocado ao vivo quer com os Bon Jovi, quer com Jon Bon Jovi a solo. Foi então apresentado Layonne Holmes que interpretou dois temas, seguido de Nicole Atkins. Cada um dos artistas principais tocou entre 2 e 5 músicas, todas elas interpretadas por uma banda super profissional, conduzida por Bandiera. O cantor Bryan Fallon subiu então ao palco, contando com a preciosa ajuda de Southside Johnny, uma lenda de New Jersey. Gary Bonds levou o seu próprio baixista, que substitui Hugh durante as músicas em que a cantora esteve em palco a solo. Mais uma vez Southside Johnny juntou-se ao microfone durante a última canção em que Gary esteve em palco. O veterano tomou então as rédeas e interpretou umas das suas músicas mais míticas “This Time is for real”, seguida de um dueto muito apreciado pelo publico com o anfitrião da noite durante o tema “Broke down piece of man”.
Chegava então a altura do artista mais icónico entrar em palco e não foi dificil perceber o porquê de Jon Bon Jovi aos 49 anos ainda incendiar plateias. A audiência não se conteve e entre milhares de flashes que dispararam em direcção ao palco e a agitação que se vivia, Jon conduziu a banda, chamando para sí todas as atenções. Apesar de uma entrada calma com a interpretação de “the letter”, “Having a Party” e o clássico da sua banda “Wanted Dead or Alive” rapidamente aumentaram os decibeis e criaram um clima de festa. O músico natural de Perth Amboy teve ainda tempo para falar ao público, comentando o rumor que horas antes tinha surgido na internet e que o dava como morto. Conseguiu assim arrancar algumas gargalhadas antes de avançar com mais um êxito, desta vez “Who says you can’t go home” e é engraçado como o tema é tão acarinhado no Estado Natal do artista, quando tantas vezes mal consegue se evidenciar em concertos de estádio com milhares de pessoas noutras partes do mundo. O sentimento de pertença sublinhado no refrão do tema é sem dúvida sobre o Garden State, o qual o acolhe e entoa a plenos pulmões “It’s Alrights” sem fim. A primeira parte do concerto foi encerrada com o último êxito da banda “We weren’t born to follow”, tema que também obteve uma boa resposta dos presentes.
Para o encore foram deixadas 3 músicas. Primeiro foi Jon Bon Jovi quem brilhou numa interpretação clássica de “Blue Christmas” em conjunto com o seu herói Southside Johnny, ao que se seguiu um muito acelerado e festivo “Run Run Rudolph” com praticamente todos os músicos em palco, assim como algumas personagens da Rua Sésamo e mesmo o próprio Pai Natal, que se juntou à festa. Para tema final foi guardado o sempre harmonioso “All you need is Love”, mais uma vez com praticamente todos os artistas em palco. No entanto Jon Bon Jovi já tinha saido nesta altura, evitando assim todo o movimento que se seguiu ao fim do concerto. No entanto, ao partir deixou toda uma cidade cantando alegremente num pequeno teatro de província que resplandecia vida. O calor humano dissipou-se na noite de New Jersey, mas o espírito, esse não pode ser esquecido por quem presenciou uma noite tão calorosa.
No dia seguinte ainda tivemos tempo de visitar o novo restaurante de Jon Bon Jovi, Soul Kitchen, o qual se trata da última iniciativa da sua acção filantrópica. Neste restaurante as pessoas pagam o que acham ser justo, podendo inclusivamente pagar a sua refeição com trabalho no restaurante. Infelizmente o restaurante encontrava-se fechado pelo que foi apenas possível ver a sua frente e espreitar o seu interior. Chegava então a altura de dizer adeus à característica Broad Street, ao calmo rio navesink e ao nosso hotel muito familiar.
Em direcção à Big Apple, aproveitamos ainda para ver o espetáculo “Rock of Ages” na Broadway, o qual tem uma narrativa interessante e engraçada ao mesmo tempo, a qual percorre temas clássicos do Hair Metal dos anos 80, com temas dos White Snake, Twisted Sister, Journey e mesmo dos Bon Jovi.
Com pouco mais de 24 horas livres na cidade que nunca dorme, houve apenas tempo para voltar aos locais mais emblemáticos de Mid Town e tentar absorver todo o espírito natalício. A cidade de Nova York vale de facto a pena ser visitada nesta quadra, visto que apesar das baixas temperaturas e da falta de neve, possui um ritmo impossível de descrever em palavras, fotografias, sons ou videos. A atmosfera é simplesmente estonteante e é impossível não sentir tal magia. Apesar da decisão da viagem ter sido tomada em cima do acontecimento e de por isso não termos tido tempo para a preparar, esta vai ser sempre uma viagem que irei lembrar como aquela que me mostrou que o Natal tem o dom de reunir num perfeito equilibrio os mundos materialista e espiritual numa única quadra.
10 novembro 2011
No Inverno do Canadá, 2011
O Air Canada centre é uma arena completamente nova e com uma acústica excelente.
A banda entrou em palco com as habituais, “Blood on Blood”, “You give Love a Bad Name”, “Born to be my Baby” e “We weren't born to Follow”, arrancando desde logo uma grande saudação do público. Jon Bon Jovi dirigiu-se então à audiência para anunciar que seria um concerto especial por se tratar do dia de São Valentim, desde logo porque o seu irmão Tony estaria durante toda a noite à procura de casais apaixonados, colocando a sua imagem nos ecrãs gigantes para que se pudessem beijar em directo. Apesar de algo populista e não muito original, o que é certo é que proporcionou várias gargalhadas ao longo da noite..
O segmento seguinte de canções foi iniciado com “In these Arms”, que teve uma boa reacção, enquanto que o tema inédito incluído no “Greatest Hits” “No apologies” provou que resulta bem ao vivo, ao contrário de “The more things change”, que se torna exagerado e no qual o vocalista enceta um interminável discurso sobre os ciclos musicais e o facto deles serem originais e não seguirem modas passageiras. Seguiram-se alguns temas mais habituais como os sempre festejados “It’s my Life” e “Runaway”. ”Pretty Woman”, normalmente tocada parcialmente, foi interpretada por completo, enquanto que o tema de Robert Palmer “Bad case of loving you” preencheu o medley no meio de “Bad Medicine”.
“Lay your hands on me” interpretado por Richie Sambora foi igualmente bem recebido, mas foi o vocalista que deixou todos sem fala quando interpretou uma versão crua e sincera do tema “My funny Valentine” de Frank Sinatra, bastante apropriada para a ocasião. As surpresas tinham apenas começado, sendo logo de seguida interpretada pela primeira vez uma versão acústica do tema “Superman Tonight” com um arranjo mais lento e intenso. Mais uma vez a banda provou que consegue despir grandes produções e mantê-las brilhantes apenas com sons acústicos. Seguiu-se uma versão imaculada de “Bed of Roses” e um coro infindável em “I'll be There for you”. A banda seguiu então com os temas habituais de fim de main set com “Who says you can’t go home”, o sempre alegre “I’ll Sleep when I’m dead” e o memorável “Keep the Faith”.
A maior surpresa da noite chegaria no início do encore: “Thank you for loving me”, a balada que não tinha sido interpretada desde 2001 tornou-se num dos momentos mais intensos da noite. À classe de “Wanted Dead or Alive” juntou-se um “Someday I’ll be Saturday Night” (com direito a coros finais) e “Just Older”, os quais não deixaram dúvidas sobre a entrega da banda. O hino de karaoke dos tempos modernos, “Livin’on a Prayer” fechou com chave de ouro uma actuação de praticamente 3 horas em que a banda surpreendeu e principalmente todos se divertiram.
No dia seguinte, a banda voltava à mesma arena e lá estávamos nós para mais um concerto. A banda surpreendeu logo no inicio com “Last man standing”, e um Jon Bon Jovi a surgir na parte da arena oposta ao palco, fazendo as delícias dos fans situados mais longe do palco. Depois de terminar o tema, o vocalista teve tempo de tocar em alguns dos fans e assim criar um clima explosivo. O concerto proceguiu com os temas habituais, surgindo “Whole lot of leavin”, em substituição de “In these Arms”, enquanto “When we were Beautiful” tomou o lugar de “The more things change”. “I’d Die for you” foi uma agradável surpresa, substituindo “Runaway” que fora tocado na noite anterior. Grande malha, apenas com detalhe menos conseguido, já que o solo de guitarra foi alterado, causando alguma estranheza aos fans mais dedicados., “Bad Medicine” contou com um pouco de “Hot legs” de Rod Steward, enquanto que no fim da música o vocalista apresentou Richie Sambora, que mais uma vez se encarregou de “Lay your hands”. Era então tempo do segmento mais calmo com as baladas “(You want to) Make a memory”, uma versão eléctrica de “Diamond ring” com um solo de guitarra brilhante , que serviu na perfeição para introduzir a balada “I’ll be There for you”. Dos temas que se seguiram até a banda deixar pela primeira vez o palco destacou-se “Have a Nice Day” que não tinha sido interpretado na noite anterior.
O encore chegou com uma muito profissional versão do épico “Dry County”, uma masterpiece à qual apenas faltou uma ponta de emoção para ser perfeita. Tal como na noite anterior a banda não queria sair de palco e decidiu tocar algumas das suas músicas predilectas: “I Love this Town” e “The more things change”. Mais uma vez a banda e o público estavam rendidos à atmosfera criada e assim nada melhor que “Livin’on a Prayer” para as despedidas dos Bon Jovi a Toronto.
Depois de alguns dias aproveitados para visitar a região, partimos para Montreal, Quebec, onde a cultura é mais Europeia e o principal idioma é o Francês.
As expectativas para os concertos de Montreal eram enormes, mas a banda optou por um longo alinhamento cheio de temas habituais, dos quais apenas se destacaram “Mamma’s got a Squeeze box” dos The Who, que apesar de divertida não impressiona. Dos 27 temas tocados, apenas “Dry County” encheu as medidas aos fans mais exigentes. Mais uma vez ouviu-se o tema “The more things Change” e o discurso infindável do vocalista, enquanto que o início de “I Love this town” teve um episódio engraçado, visto que Richie Sambora demorou algum tempo a ficar pronto, o que levou a que o tema tivesse de ser iniciado por mais 2 vezes. Foi o momento mais divertido e surpreendente da noite. No fim do concerto contávamos 27 músicas e 2h e 40m, um concerto sem dúvida longo, mas que acabou por ser previsível.
24 horas depois o cenário repetia-se no Bell Center, mas desta vez eu estava no melhor lugar dos 4 concertos em terras Canadiana: uma segunda fila, do lado de Richie Sambora, mesmo encostado à parte de fora da catwalk. A banda surpreendeu ao iniciar o concerto com “Happy Now”, que soube criar a atmosfera de ocasião especial. A voz do vocalista Jon Bon Jovi soou impecável durante todo o concerto e não tivemos de esperar muito para a segunda surpresa da noite: “Rádio saved my life tonight”, durante o qual o vocalista e fundador da banda fez um discurso emocionado sobre como foi até a um DJ de uma rádio para que tocasse a sua música, e como aumentou o volume acelerou o carro ao perceber que o seu pedido tinha sido atendido. Durante breves instantes ele foi aquele rapaz que concretizou o seu sonho e 27 anos mais tarde se mantém no topo para contar a história. Brilhante!
A banda entrou então em piloto automático até ao momento em que o guitarrista assumiu as rédeas para interpretar “Lay your hands on me”. Era notório que Richie Sambora não estava a 100% durante estes concertos, falhando algumas notas, o que é invulgar para o quem está habituado a ouvir. Jon Bon Jovi dirigiu-se ao catwalk e toda a banda interpretou mais uma surpresa para os fans: “Livin in sin”, uma interpretação sublime de uma canção apaixonante. Foi então altura de Richie Sambora se juntar ao vocalista no catwalk e juntos interpretarem mais uma versão de “I’ll be There for you”, a qual obteve o coro mais alto que alguma vez testemunhei numa arena. Os músicos estavam incrédulos, e Jon deixou escapar a exclamação "I wish the Jersey crowd was this loud". Tico Torres e David Bryan juntaram ao duo dinâmico para uma inesperada interpretação de “Blood on Blood” que soou maravilhosamente, recordando os mais dedicados dos momentos acústicos que a banda proporcionava nos anos 90. É incrível como depois de 60 concertos contínuo a ouvir temas pela primeira vez ou variações de músicas antigas. Impressionante!
O piloto automático foi mais uma vez ligado até que o tema “Love’s the only rule”, que incluiu um discurso emocional, levou os músicos a deixar o palco pela primeira vez. Esta música foi de facto inesperada e proporcionou um dos grandes momentos da noite, com Jon Bon Jovi a atravessar pelo meio do pit até à catwalk onde emergiu e pediu a todos que cantassem com ele os coros da música.
O encore iniciou-se com uma grande festa e “I’ll Sleep when I’m dead”, uma música que pessoalmente já começava a ficar cansado, mas que durante esta digressão teve uma injecção de energia que lhe deu novo fôlego, e se nos concertos anteriores já tinha sido motivo de festa, o que dizer quando desta vez incluiu um medley de 3 músicas!!! “Star me up”, “Jumpin Jack Flash” e “Dancin’ in the Streets” formaram um verdadeiro “menage a troi” na cidade de Montreal. Seguiram-se os hinos “Wanted dead or alive” e “Livin’on a Prayer” com uma participação do público soberba. Foi então tempo das despedidas, mas depois de todos à excepção de Jon já terem desaparecido, este não resistiu à energia contagiante dos gritos da audiência e chamou os companheiros para o final perfeito: “Keep the Faith”! Apesar de não ser absolutamente surpreendente ou original, não deixou de ser um momento fantástico, encerrando o espetáculo com uma energia inesgotável.
O concerto fora intenso e cheio de surpresas, apenas pecando por lhe faltar alguma espontaneidade, visto que tudo fora planeado segundo a segundo. Apesar de algo apressado, este foi provavelmente o melhor dos 4 concertos no Canadá, visto que contou com 6 surpresas, foi recheado de momentos divertidos e principalmente notava-se que a banda e o público estavam em sintonia. É quando a banda alcança este equilíbrio que conjuga o elemento surpresa à diversão que atinge os melhores resultados, e o público ao sentir essa atitude acaba não apenas por se render, mas por devolver toda a energia de volta para a banda.
A aventura tinha terminado e dos 4 concertos incluíram um especial de dia de São Valentim, dois normais com versões inesquecíveis de “Dry County”, e “Diamond Ring”, e uma festa incrível com uma audiência ensurdecedora. No fim, provei o que já tinha ouvido dizer: “Os concertos no Canadá são sempre dos melhores da América do Norte” e a verdade é que foi isso mesmo que eu testemunhei in loco não só com a banda rendida e a surpreender com temas raros, mas também com um público devoto que canta todas as músicas da banda. A qualquer fan que tenha oportunidade, o Canadá é uma excelente opção para presenciar um concerto dos Bon Jovi.
15 janeiro 2010
Bon Jovi - These Days (1995)
Depois de um "come-back" recheado de êxito, uma torné sem precedentes que visitou os quatro cantos do globo, um "best of" que consolidou ainda mais o estatuto do grupo nos tops do mundo inteiro, a banda de New Jersey regressou ao estúdio no início de 1995 para gravar o seu sexto album de originais. Gravado em New York, com a produção de Peter Collins, Jon Bon Jovi e Richie Sambora (que pela primeira vez executaram estas tarefas num disco do grupo), este disco confirmou a vertente social despultada no seu predecessor, "Keep the Faith", mas acrescentou às melodias um tom melancólico, triste ou mesmo desesperado por vezes. A mensagem positiva continua, mas desta vez mais subliminar, sendo que todo o ambiente do disco retrata tempos dificeis, em que a luta é constante e as boas notícias escasseiam.
Assim sendo este disco, mais que qualquer outro, funciona como um todo, 14 capítulos de uma história de amor, sofrimento e esperança. "Hey God" dá início ao album com uma energia inigualavel, provavelmente esta é uma das composisões mais hard rock do grupo, constituindo uma carta aberta a Deus. O que podemos fazer perante estes tempos dificeis, quando tudo parece perdido.... Várias situações são descritas que exemplificam a injustiça social e o inferno em que muitas vidas se tornaram. "Something for the Pain" acalma um pouco o ritmo do disco, como que numa prece por algo que possa acalmar a dor.... "This ain't a Love Song" é uma balada rithum & blues magnificamente interpretada que relata o fim de uma relacao ... "These Days" é o grito de esperança no mundo e nas pessoas. "I know Rome is still burning, though the times have changed, but the world keeps turning round and round These Days". O mundo arde em chamas de dor, mas continua a rodar e a esperança não morre.
"Lie to me" é mais um grito desesperado, desta vez por parte de um amante que suplica por amor, mesmo que ja não seja correspondido, pois ha situações em que a presença, mais que as palavras podem salvar uma vida. "Damned" volta á descarga de energia e de raiva, sendo um grito irracional de quem está farto de lutar. "As my guitar lies bleeding in my arms" é o elemento de humildade que constitui o maior medo para quem vive de escrever canções: o acordar sem inspiração. E ao invés de voltar as costas a banda abordou o tema de uma forma tão directa, crua e desesperada que podemos sentir a angustia vivida pelos autores. "(It's hard) Letting you go" é o sentimento de perca de alguem que nos é querido e que nos deixa fisicamente. "Hearts breaking Even" a balada de esperança no amanha e que nos faz renovar as forças.
"Something to believe in" relata o sentido da vida, pois sem este elemento a vida fica num vácuo. Desta forma é realçado este aspecto fundamental. "If that's what it takes" é a força de viver por algo, e morrer pelos nossos sonhos se caso disso for. "Diamond Ring", o conforto de ter alguem e saber que mesmo que mais nada faça sentido temos tudo o que interessa. "All I want is Everything" a resposta à geração X: Quero Tudo, mas não tenho nada; esta dicotomia que se vive a certa altura e que nos leva a pensar que temos de lutar e preservar os nossos sonhos, pois são eles que nos fazem vencer. "Bitter wine" encerra em jeito de fade-out, falando de uma relação antiga que ao longo dos anos se vai desgastando e por fim tem o seu quê de amarga. È o fim de um capítulo, o sentir que algo se encerra e que ao olhar para trás podemos tirar proveito das coisas boas que vivemos.
Este disco foi motivo de 2 digressões Europeias, númerosos prémios, actuações históricas no estadio do Wembley, em paris em que a banda abriu para os seus idolos de sempre: Os Rolling Stones; concertos em partes do mundo em que é raro existirem concertos - Índia e África do Sul; mas mais que todo o êxito foi o encerrar um capítulo, o sarar de uma ferida profunda, que dolorosamente persistia em não querer melhorar. Desta forma a banda expulsou todos os seus demónios e deu ao mundo um pouco do que este tem vindo a dar à Humanidade, mas em forma de uma romantica balada de esperança. Nada mais havia a dizer e, os 5 anos seguintes sem discos foram a prova de que a perfeição ao nível deste tipo de registo fora atingida e que não poderiam mais seguir esta direcção.
Há discos que marcam pela sua alegria, outros pela sua paixão, outros pela sua energia, e há aqueles que reflectem a sociedade em que vivemos, tocando as emoções mais básicas e fazendo-nos perceber o que realmente somos neste mundo. These Days é um desses discos. Sem perder a noção de realidade diz sem preconceitos o que podemos fazer e as armas que temos para o conseguir... Baseando-se na simplicidade alcansa um feito maior: desperta emoções a quem o ouve.
07 dezembro 2009
O2, Londres, 2007 - Apresentação do álbum Lost Highway
E a distância não impediu o frio na barriga, a imediata energia que se gerou, o levantar das cadeiras, a partilha entre todos os presentes de um sentimento que transcende o gosto pela música, e que apenas pode ser descrito como a vivência comum de letras que dizem mais do que as palavras, são experiências de vida que de uma ou outra forma todos tinhamos vivido. O Livin on a Prayer é daquelas músicas que já foi tocada em todas as partes do concerto, início, meio do main set, a encerrar o main set, a finalizar um encore, ou no fim do concerto. Pessoalmente gosto no início já que a introdução da música assenta a 100% ao começo da festa, com os amplificadores a darem um som crescente à ocasião. O jon foi filmado desde o camarim até entrar em palco, o que fez lembrar tornés passadas.
E o que dizer ao fim de dois clássicos? Foi impossível olhar para os ecrãs gigantes, apesar de apenas através deles conseguir ver as expressões dos músicos. Aqueles personagens, e em especial o Jon e o Richie, enchem todo o palco, parece que irradiam uma luz que apenas os heróis se podem gabar. São carismas, presenças, vivacidade, não há palavras para descrever a energia que aqueles dois ícones do Rock libertam. Aos êxitos de sempre como Born to
be my baby - em que imensos fans rodearam o Jon - , it's my life ou o velhinho runaway, juntaram-se os novos temas. E se o lost highway ou whole lot of leaving ainda não pegaram em definitivo por serem recentes, o make a memory revelou-se um momento mágico em que a solenidade da letra era de chegar às lágrimas; o We Gotta Goin On conquistou todos desde que o Jon se virou para o Richie e disse: "let that talk box talk".... Muito dificilmente sairá do set list em minha opinião.
O I Love this town dá a oportunidade para agradecer à cidade pelos momentos grandiosos do passado e revela a banda na sua atitude mais descontraída. É caso para dizer os Bon Jovi estão à solta e à vontade num tema em que não falta um solo brilhante ou uma
participação activa do público, é uma mistura de love for sale, sleep when i'm dead e who says you can't go home em pouco mais de 5 minutos. Estupenda!
Ao êxito country do ano passado juntou-se o Sleep, Medicine e Shout e "os níveis de adrenalina subiram a níveis perigosos para os mais fracos de coração". Todos os músicos tiveram direito a uma apresentação especial, e um dos momentos da noite deu-se quando uma fã em palco recusou um cumprimento do Jon, preferindo em seu lugar uma saudação do teclista de serviço. A reacção do vocalista esteve á altura pois, depois de se sentar, disse para a fã avançar e cumprimentar o seu ídolo. A todo o profissionalismo juntaram-se assim momentos de espontaneadade, que apenas grandes nomes têm o carisma de proporcionar.
O Any other day foi recebido com entusiasmo e deu mais uma oportunidade ao Sr Sambora para brilhar num solo final que arrebatou todos. O Sat Night e o Last Night continuaram o clima de celebração e entusiamo, enquanto que a extraordinária performance do Hallelujah foi um dos momentos da noite. Mais uma vez os Bon Jovi provaram que não são "apenas" excelentes compositores, mas tambem talentosos músicos que conseguem pegar numa música de outro artista e vestir-lhe uma roupagem BonJoviana. Já são muitas e famosas as covers que a banda tem, e mais uma vez conseguem alcançar um nível de emoção na interpretação que chega a arrepiar. Ao vivo ainda mais do que no programa Stripped, nota-se que o Jon trabalhou muito bem o tema de forma a encaixar a sua voz de uma forma que soa muito natural. Definitivamente daqueles momentos em que conseguem que toda a gente numa grande arena se sinta num pequeno bar, dada a intimidade da actuação.
E quando todos pensavamos que o concerto tinha chegado ao fim depois de uma interpretação estupenda do clássico Wanted Dead or Alive - mais uma vez o Richie a sobressair, e com um gesto sempre bonito do Jon quando disse: "Welcome back my brother" -, voltaram à carga para 10 minutos de um Keep the Faith que transborda ritmo, alegria e adrenalina. É impossivel ficar quieto com músicas destas, e quando a interpretação tem o nivél que sabemos as duas horas de concerto só podem saber a pouco.
Em relação ao sitio onde presenceei o concerto, deu para confirmar aquela velha máxima que um dia alguem disse: o Jon consegue que toda a gente num estádio - neste caso Arena - fique com a sensação que ele olha e canta apenas para nós. E isso é fabuloso, já que eu tinha partes do concerto em que queria mostrar o cachecol de Portugal, o que era ridículo, dado que a distância tornava impossível de ser visto, mas o Jon consegue fazer sentir isso mesmo: uma intimidade e proximidade na relação artista público, dificilmente igualavel. É só uma confirmação já que quem teve nas
primeiras filas sabe bem que ele gere muito bem o contacto com a audiência quer através de eye contact, sorrisos, expressões, etc. Definitivamente um Performer de se tirar o chapéu.
Ficou a promessa de um regresso no próximo ano, num local com a capacidade apropriada para a banda. A pergunta que fica no ar é mesmo se depois de acabado, o Wembley estará preparado para receber tanta adrenalina e energia juntas?
04 dezembro 2009
2007 Prudential Center, NJ, USA
Entre os passeios obrigatórios a NYC, começamos por assistir dia 3 de Novembro à 6ª noite dos Bon Jovi no Prudential center de Newark. E o que obtivemos? Bom, aqueles meninos estavam em grande. Logo desde a original entrada em palco, já que dá oportunidade a cada um dos 4+1 elementos de entrarem 1 a 1 e serem respeitosamente aplaudidos pela multidão que os aguarda.
O Lost Highway não é o melhor começo mas definitivamente marca o ritmo que o álbum homónimo nos oferece. Mas depois são hinos atrás de hinos e, apesar de já ouvido 1001 vezes aquele refrão do You Give Love a Bad Name, à que dizer que tem um power inigualável. O Raise your hands continuou a dar cartas e porque o frio apertava soube tão bem ouvir o Summertime. Acera desta última, confesso que pessoalmente é das minhas favoritas e o inicio ao vivo à la We will Rock you dos Queen dá ainda mais força a uma letra divertida e um ritmo estonteante.
Nesta primeira noite tivemos a sorte de poder ouvir o Blood on Blood que é sempre uma favoria ao vivo dada a emoção que transporta. Outros momentos altos foram o We Gotta goin on - indubitavelmente a melhor musica ao vivo do trabalho que estava a ser promovido -, uma interpretação muito blues do These Days pelo Sr Sambora que irradiava simpatia e carisma; Last man standing, Lay your hands on me - a música que faltou nas tornes anteriores, é daquelas que sabe tão bem ouvir de novo. Desde a intro até ao último refrão são 5 minutos de grandes guitarradas e muitos coros. Finalmente o Keep the Faith com o Sympathy for the Devil no meio arrebatou todos os que ainda não se tinham rendido. Impressionante como esta música 15 anos depois continua a soar melhor do que nunca ao vivo.
De lamentar apenas a atitude relaxada e mesmo, na minha opinião, demasiado passiva da maior parte do público - sim porque à quem veja só 1 hora e 45 minutos de concerto e passe o tempo com 2 cahorros numa mão e duas cervejas na outra, com saídas a meio do concerto para ir aos lavabos ou abastecer-se de mais comida.
Bem, 2º concerto, desta vez no topo do estadio - até vertigens tinhamos - foi com agrado que recebemos o Story of my life, uma das minhas favoritas do Have a Nice Day, e quem esteve nessa torné sabe o ritmo que dá ao concerto; I Love this Town, não deixando de ser um Who says you can't go home pt2, é muito divertida e permite alguma interação com o publico; Radio saved my life tonight que trás sempre a magia do que a música representa nas nossas vidas; e Complicated que não deixa ninguém sentado.
Reforço que nenhuma destas músicas tinha sido tocada na noite anterior e eram já de sí razão para dizer que este concerto superava o anterior, mas os verdadeiros momentos da noite ainda não tinham chegado. Isso aconteceu quandoo Jon diz que o King of Swing vai tocar uma música do seu primeiro album a solo e ninguém queria acreditar! Desde 2001 que não se ouvia o Richie cantar outra música que não o I'll be There for you, e depois da surpresa de ouvir o These Days pela sua voz, ouvir uma música mítica como o Stranger in thos Town não é menos do que surpreendente. E que dizer à interpretação desde Sr, com a sua voz à Soul e uns solos blues que nos possuem dos pés à cabeça.
E quando ainda aplaudiamos este momento não é que nos pregam mais uma surpresa, e que surpresa, o jon começa por dizer que a proxima musica do album bounce deveria ter sido incluida nos Sopranos e que tem muito que ver com as pessoas de New Jersey, e eis que o David dá as notas iniciais do Right side of Wrong. Sem palavras, pois o momento foi de magia. È daquelas composições em que o casamento entre melodia e poema descreve bem porque esta banda é tão amada e tem seguidores tão fieis. Genial é tudo o que posso dizer.
Não esquecendo as grandes prestações das músicas também tocadas na noite anterior - e volto a reiterar que o Lay your Hands tem de ficar no set list porque os concertos da banda são ainda mais Bon Jovi com esta música. Tenho ainda de aplaudir a ultima surpresa dessa noite: Bells of Freedom que em minha opinião ganha bastante em relação à versão de estúdio, pois ganha um emotividade e força que dão verdadeiro sentido à canção. E que dizer do magnifico solo de guitarra final? O violino coutry adionado tambem dá profundidade à parte final da música. Com o som do hino nacional: Wanted e do sempre ritmado Sleep when I'm dead despediram-se com muitos sorrisos, deixando uma plateia em estado de extase.
Não foi só o set list que mudou e que apresentou raridades, a própria atitude da banda teve mais brilho que na noite anterior. E aqui, por muito que me custe, o humor do Sr Jon Bon Jovi tem muita influencia já que a atitude da banda na abordagem ao concerto depende muito do estado de espirito dele. O homem quando está bem disposto consegue arrebatar todos os presentes e eu sei que isto é clichê e já foi dito 1001 vezes...mas ele consegue fazer-te sentir, mesmo que estejas lá em cima e que o vejas como um pontinho, que está a olhar e a cantar só para tí. E é impossivel olhar para os ecras, o carisma dele é algo que só observando-o em carne e osso se consegue perceber, é como se uma aura o envolvesse.
A noite não terminou com o concerto, já que que arrancámos imediatamente para sul....
Ao longo da estrada, era estranhamente familiar ver placas a dizer: "Atlantic City Expressway", "Woodbridge", "Perth Amboy", "Sayreville", "Red Bank", entre outras. São tudo sitios que qualquer fã já ouviu repetidas >vezes em biografias, e que identifica imediatamente com a banda. E agora lá estavamos nós, a percorrer uma auto-estrada perdida que nos localizava exactamente todos esses locais.
Mas foi só no dia seguinte, dia esplendoroso de sol diga-se de passagem, que podemos apreciar o que o "garden state" reserva aos seus visitantes. Uma verdejante paisagem, com casinhas muito bem arranjadas, cada uma com o seu jardim. Não existem casas com mais de 1 andar, casas à lá sozinho em casa, e ao atravessar a ponte que passa no rio podiamos ter a certeza: estávamos em Red bank. E a magia do sitio é inexplicável, quer por palavras, fotos ou filmagens. É a atmosfera, são os cheiros, são as perpectivas que temos de um local calmo e tranquilo que por certo qualquer pessoa gostaria para criar a sua família. A praia não muito longe, NYC a uma escassa hora de distância, e um ambiene provinciano de terra pequena e acolhedora. Parecia que estávamos na terra dos sonhos...
Continuando a nossa viagem fizemos as visitas da praxe aos casarões dos famosos habitantes de red bank. E realmente quem não gostaria de viver num ambiente tão tranquilo, sereno e mesmo isolado, visto que as estradas não têm passeio, nem estacionamentos, só sendo possivel parar o carro mesmo em frente aos portões das casas.
Em direcção ao litoral, chegámos a Long Branch, terra natal do Bruce Springsteen e com inúmeras menções em histórias dos Bon Jovi. A avenida, sempre com o oceano de um lado e pequenas habitações e estabelecimentos comerciais do outro, ilustravam um postal colorido. Chegando ao Element's, bar do irmão mais novo do Jon, foi altura de tirar algumas fotos. E um pouco atrás, a capela onde o Tico e a Eva deram o nó há já uns anitos atrás. Bem, parece que os locais históricos estão todos alí, à mão de semear, e quase que vamos tropeçando neles. Demos então um saltinho à praia e podemos olhar o mar furioso que se debatia contra algumas rochas... do outro lado daquela imensidão estavam as nossas casas. Consegui criar um elo de ligação entre
este nosso país pequenino e aqueles sitios míticos, pois apenas o oceano nos separa.
O dia já ia longo e ainda passámos no famoso Roadside diner, das fotos do Crossroad - pena naquele dia preciso ter fechado mais cedo - antes de chegar ao nosso destino: Atlanic city.
E que cidade esta. Quem tiver oportunidade vá lá dar uma espreitadela, mas vão à noite, pois esta mini Las Vegas esconde de dia toda a luz, encanto e explendor de um luxo exacerbado. São casinos atrás de casinos, lojas a perder de vista, enfim a cidade dos sonhos perdidos tal como a música do Boss que tem o nome da cidade descreve.
No dia seguinte podemos contemplar a excelência do famoso boardwalk que durante kms e kms segue ao longo da praia. Muitas lojas e casinos tem esta cidade, mas mais uma vez é o ambiente de luxúria que nos invade e que não é possivel de ser transmitido. Quantas vidas se ganham e perdem aqui....
Tivemos a felicidade de tomar uma refeição num bar muito pitoresco em que os empregados faziam uma coreografia muito engraçada sempre que o tema Stayin' Alive dos Bee Gees tocava. Bom e como cada mesa tinha uma jukebox em que podiamos por 0.25$ e escolher um tema, vai de pedir muitas vezes. Ainda vimos 2 vezes a coreografia, e até uma senhora já de idade se juntou à festa. Simplesmente fenomenal daqueles momentos corriqueiros que descrevem a cultura e costumes de um povo.
E na manha seguinte lá partimos em direcção a norte onde nos esperava mais um concerto.
Não sem antes fazermos algumas paragens obrigatórias é claro. Seaside Heights, boardwalk onde foi filmado o video do In and Out of Love foi a primeira. E podemos observar um local que é uma feira autêntica ao pé do mar. Pena foi que estavamos no inverno e que por isso não só estava tudo fechado, como não avistamos viva alma. Sem contar com o frio e o vento que se faziam sentir com muita intensidade. Sem dúvida a repetir mas no verão, quando tenho a certeza que muitos dos habitantes do estado invadem este local.
Andando um pouco mais a norte, visitamos Asbury Park, uma zona mais pobre e não tão arranjada como Red Bank. Alguns edifícios mais altos faziam acreditar que algumas fábricas teram fechado e que a cidade já teve melhores dias. No entanto as casinhas todas afastadas umas das outras continuavam a dominar a paisagem. O boardwalk que segue junto ao oceano e à praia é talvez o melhor que esta zona tem para oferecer. E logo do outro lado do boardwalk, um sitio mítico: o Stone Pony. Estava fechado à hora em que passamos mas é mágico pensar que foi aquele um dos bares em que o Jon e companhia actuaram enquanto adolescentes. Tantas histórias teriam por contar aquelas paredes se podessem falar... E um pouco à frente o já abandonado e extremamente degradado "Fast Lane". A placa continua lá a identificar o local, mas a sua existência é agora uma recordação do passado.
E foi assim que chegamos de novo a Newark, apesar de alguns sitios terem ficado por visitar, são para mim apenas o estímulo a voltar a estas paragens para poder vê-los.
Falando só um pouco de Newark, não é muito representativa do estado a que pertence, apesar de ter uma comunidade de Portugueses significativa. No horizonte avista-se Manhatan e o cenário é digno de um postal, mas tudo o resto fica a desejar. A cidade é de indústrias e encontra-se degradada. E o Prudential Center, mesmo no centro da cidade, ao pé da estação de comboios, é o único vestígio de magnificência.
Mas mais um concerto, mais magia nos esperava...
Pena o local que tinhamos, pois mais uma vez ficamos no topo do recinto, no entanto seria esta a última vez. O concerto mais uma vez teve início com o Kurt Johnston a cantar e o Bobby Bandiera e a Lorenza Ponce a acompanhar nos seus intrumentos uma cover, enquanto que um a um, os elementos da banda entravam com a ovação merecida. E quando só faltava o lead singer, a música começa a adquirir mais côr e ritmo já que o Richie, David, Tico e Hugh ajudam a elaborar uma explosão que se converte no tema que dá título ao último trabalho da banda. Aos temas da praxe juntou-se tal como na noite de dia 3, o Just Older que é sempre bom de se ouvir já que transparece a relação forte existente entre o vocalista e o guitarrista.
O last night foi a primeira surpresa e apesar de não ser imensamente bem recebida pelo público é um mid-tempo que mantém os animos. E para quem aprecia a música é sempre um momento especial. Pessoalmente é daquelas que a letra tem muito significado.
O Whole lot a leaving é uma faixa que vai aparecer em todos os concertos, pois o Jon gosta muito de a usar para saudar o público com a primeiras palavras em discurso directo da noite. O Runaway continua com uma introdução à la 2006, com a time machine e o Jon a parar em 1982. Ele próprio se encarrega do solo final da música, sempre com grande profissionalismo. E logo a seguir, tempo de Summertime. Eu não me farto de repetir que esta é daquelas que é uma bomba ao vivo. Impossivel ficar sentado com tanto ritmo, tanta alegria, tanto som Bon Jovi. Idem idem para o obrigatório "We gotta goin on". Indescritivel!!!
Com o Medicine e o Shout até os Americanos se levantam - e já não era sem tempo. Quem não conhece este hit e com aqueles coros he eh eh eh (he he eh eh) do Shout já tradicionais no meio da música. E desta vez eles tocaram exactamente a música na sua melhor forma: medicine, one more time, medicine, shout e back to medicine. Parece que nunca acaba. Que energia!!!
O Richie voltou a interpretar uma das minhas músicas favoritas, These Days. Altura para os Americanos se sentarem ou irem reabastecer de comida, mas para os verdadeiros fans aplaudirem de pé as palavras de agradecimento do guitarrista. Ele explicou que com os anos as músicas vão ganhando novos significados, e que esta era um bom exemplo, pois depois de momenos bem difíceis, tudo o que tinhamos naquela noite eramos nós, esperança e sonhos... e foi a nós que ele dedicou uma estupenda interpretação do clássico These Days. E se a interpretação é ao nível dos que o King of Swing já nos habituou, que dizer ao dueto guitarra violino que acontece na parte do solo? Simplesmente genial. Posso dizer que eles conseguiram não alerando muito a música, adicionar-lhe novos elementos de forma a torna-la fresca e nova. Impressionante!
Pouco depois tocaram o Last man Standing, um clássico que para mim não fica a dever nada ao Wanted quer a nível de letra, quer a nível de música e, logo a seguir a batida da introdução mais longa da história do Rock and Roll teve início. Estava na altura de rezar e aquela que foi a melhor come back da torné até então provou mais uma vez porque tem que estar todas as noites no set list. A letra pode não ter sentido, mas aquele riff, aquele solo, aquela batida, é característico de mais para não ser tocado. Amen ao Lay your hands on me.
Para finalizar o main set ouviram-se o Have a Nice Day, Who says you can't go home e o Prayer. Esta última leva toda gente à histeria, mesmo o mais calmo e típico dos americanos. Durante aqueles 7 minutos sente-se porque os Bon Jovi são uma força da natureza, que estão vivos, e bem vivos, e recomendam-se em 2007.
A iniciar o encore, a segunda supresa da noite, tal como a primeira, retirada do disco Lost Highway, ouvimos Any other Day, uma música que vai crecendo à medida que os minutos vão passando, tal como a letra vai adquirindo mais e mais força. No fim é o solo majestoso do Richie que coroa a música que não termina sem antes o Jon poder apresentar o Bobby, o Kurt, a Lorenza, o David e o Richie, todos eles com direito a uma ou duas voltas da música com um solo à sua conta. Muito bem aproveitada esta música para este efeito.
O Wanted dead or alive foi a penultima música a soar, logo seguida de uma boa interpretação de uma das músicas que os hard core fans mais apreciam Someday I'll be Sat Night. E depois de 3 dias a visitar os sitios que os viram nascer para a música, nos quais eles creceram e se formaram enquanto músicos e seres humanos, é esta a música que mais se relaciona com os dias em que os elementos da banda, sozinhos ou em grupo, viviam a lutar naqueles sitios. Dias em que se vive do sonho, em que tudo corre mal e parece que não temos futuro. Mas que tal como o Jon muito bem diz após o solo da música, os sonhadores gritam "I'm alive", e perante os nãos da vida se recusam a perder as esperanças e recomeçam... porque nem todas as histórias têm um final feliz, eles dão-nos o exemplo de luta e de coragem de uma história que até
então teve 25 anos, mas que não se cansa de nos dar lições de vida e de como persistir em ver o lado positivo da vida e acreditar nos sonhos. Porque apesar da semana complicada, 5 dias a penar, há sempre um Saturday Night que vai chegar e em que vamos poder gritar "I'm Alive"!
Talvez não tenha sido o mais espetacular concerto da banda, para mim então num local, 2º balcão, que não me vai trazer muitas saudades. Mas foi o culminar da segunda fase de uma viagem inesquécivel e que de uma forma perfeita fechava a maratona de 3 dias que nas linhas acima descrevi.
Era dia 8 de Novembro. E mais uma vez tomámos o comboio em direcção a Manahatan. Um comboio que me fazia pensar naqueles anos em que o Jon trabalhava em NYC e todos os dias fazia esta viagem. Ali era possivel cheirar as pessoas, e apercebermo-nos da rotina do dia-a-dia. Um comboio que não é assim tão diferente daqueles regionais da CP cá em Portugal. Um comboio em que podemos até tomar contacto com uma personagem que nos fez lembrar o "Joey Keys"...
E depois daquela azáfama e daquele stress, saíamos no coração do mundo ocidental: Madison Square Garden, com o Empire State Building mesmo à nossa frente. Depois todas as ruas iam dar ao centro do universo: Times Square. É indescritivel aquele ambiente. Nenhuma foto ou filmagem por mais precisa que seja consegue transmitir o ambiente , o staus e o glamour que se sente naquele local. È mesmo como se todas as culturas do mundo conseguissem caber num único bairro.
Os restantes dias foram passados a aproveitar ao máximo esta cidade, em paragens obrigatórias como no topo do Empire State Building ou na Estátua da Liberdade. Mas mais do que tudo são as ruas, a atmosfera, o ambiente que nos invadem....
E ao fim da tarde era voltar para Newark e assistir a grandes concertos. Começando por dia 9, em que pela primeira vez tivemos lugares ao nível do chão, apesar de afastados do palco. Os All American Rejects souberam aquecer, provando que são uma excelente banda de abertura. Mas estavamos todos alí para celebrar outras músicas. E ao som de Lost Highway, pela 4ª vez, vimos a banda entrar em palco com uma energia soberba. Summertime, uma das minha favoritas ao vivo, substituiu a eterna 2ª música ao vivo "Bad Name". E logo depois era desvendada a grande surpresa da noite: a banda iria tocar todo o album Lost Highway. Para além disso era a boa disposição que reinava e o Jon não perdia uma oportunidade para comentar o significado de cada música.
Às habituais músicas que já tinham sido tocadas juntaram-se o Everybody's broken, one step closer, strangers e seat next to you. Qualquer uma delas é muito pessoal e consegue-se sentir a emoção dos performers. No one step closer arrepiava ver o Jon a abraçar-se de olhos fechados a cantar como se estivesse num pequeno bar a sussurar aos nossos ouvidos. Quanto ao Seat next to you foi memorável observar como ele a dedicou a uma fan que estava na front row e que conseguiu que todos observassemos a forma carinhosa como a olhava e lhe oferecia a interpretação. O Everybody's broken mostrou a cumplicidade entre Jon e Richie em que ambos expunham feridas recentes. O
Strangers apesar de apenas interpretado pelo Jon teve uma belissima reacção. Apesar de não ser tão forte como no album e de não ter a potência de um Always ou Bed of Roses, é capaz de ser a melhor balada pós 2000.
E depois de ouvirmos o album de uma ponta à outra o que podiamos ouvir? Os hits é claro... E foi um desfilar de êxitos o que se seguiu. É incrivel como esta banda marcou a música dos últimos 25 anos. Cada música transcende a marca temporal de quando foi gravada. São marcos na vida de tanta gente. Para o encore ficou o que para mim foi o momento da noite, melhor mesmo do que a interpretação de todo o último album: a versão original do I'll be There for you, cantada pelo Jon. Desde 2001 que não era tocada desta forma, já que o Richie tinha agarrado a música e tornado-a dele com interpretações que foram crescendo nas torné de 2003 e 2005/2006. Mas o que dizer a este clássico. A esta baladona. É um momento único e que para sempre irei recordar como dos melhores em concerto, pois à emoção do Jon a cantar juntou-se a alma de um Richie que solou como nunca e que transformou esta na melhor interpretação da música que já ouvi. Bravo!
Esta provavelmente foi a noite mais especial para os fans já que as músicas raras e a atitude da banda esteve incólume.
Mas não era a última noite e no dia seguinte lá estavamos para o mais esgotado dos 10 concertos, o último daquela série em New Jersey.
E as surpresas começaram logo no início, ao ver o scetch do Saturday Night Live em que o Jon com cabelo comprido consola uma jovem adolescente em 1986. Ilariante especialemte quando se vê antes de um concerto da banda. E quando termina é ver a banda toda em palco no caos que precede o "You give Love a Bad Name". Foi o melhor início de concerto sem dúvida, a eterna 2ª música foi desta vez tocada em primeiro lugar e com que garra foi tocada. Mais do que as músicas tocadas foi o clima de festa e de celebração que envolveu tudo e todos. A banda estava em casa e dar a todos, fans ocasionais ou hardcores, o melhor concerto de sempre.
Para mim o momento especial foi quando o Jon foi mesmo alí para uns escassos metros para interpretar o Make a Memory, tal como costumava em 2005 e2006 nos concertos indoors fazer com o blaze of glory. Foi o pedacinho de contacto mais intimo que tivemos e que nos abriu o apetite para o concertos Europeus de 2008. Com o Bed of Roses o Jon deu-se ao público, sem qualquer medo e saudou todos os que estavam mais perto numa caminhada desde o sitio onde interpretou o memory até ao palco.
O concerto prosseguiu em clima de festa e em celebração terminou ao som de uma nova interpretação de uma música que já não ouviamos desde 2003: Twist and Shout o memorável final dos concertos de 2001. E o que dizer do sempre electrizante Treat her Right que não deixou niguem sentado? Foi assim que o Jon desceu do palco e saiu pela parte de traz do recinto, despedindo-se do seu estado natal com clássicos festivos.
Foi assim uma viagem que serviu para concretizar um sonho e reafirmar a força que esta banda tem em alimentar esses sonhos. Mas mais sonhos ficaram agora por concretizar pois quanto mais se tem, mais noção se tem do que falta ter....E sem dúvida que esta foi uma página de ouro no livro de experiências Bon Jovi para todos os que a vivemos.
03 dezembro 2009
Europa, 2006
"I've seen a million faces, and I've Rocked them all......"
Quanto a Linz, foi um pouco mais curto e com bastantes semelhanças com o concerto de dusseldorf, pelo menos no que diz respeito ao main set - dado que apenas trocaram o sympathy for the devil - no meio do Faith - pelo Shout - no meio do Medicine. No encore pudemos ouvir um excelente These Days e um energético older. A atmosfera deste concerto foi diferente já que foi o primeiro concerto ao ar livre. Notou-se nitidamente uma melhoria na disposicao do Richie, já que este a partir deste concerto começou a sorrir bastantes mais vezes.
Em koblenz realizou-se o 3º round. Nesta pequena cidade cheia de monumentos, os BJ deram o único concerto que não se encontrava esgotado até então, surpreendendo com uma versão totalmente cantada pelo jon do Wanted, assim como um Bouce electrizante, misunderstood a pedir muitos coros e um I wanna be loved que ao vivo soa bastante bem.
Dias mais tarde, em Dublin, mais um concerto cheio de emoções, em que o runaway foi introduzido com a historia do Time Machine, ao passo que o Garageland foi algo de completamente inesperado. O jon estava on fire, sempre muito comunicativo e no story of my life referiu vários países que se encontravam representados, com Portugal à cabeça. Sim ele estava a olhar, perdão, a sorrir mesmo para nos. Depois de o ter feito em Dusseldorf, foi a 2ª vez na torné que houve uma referência directa ao nosso pais, e em apenas 4 concertos.
Muita energia e uma vista espantosa de 80 mil pessoas fizeram deste concerto um momento mágico. O Bobby Bandiera acenou à comitiva Portuguesa e ao que parece vai ser um amigo de Portugal já que nos surpreendeu ao dizer "obrigado".
Em suma, a banda está no seu melhor com o Jon com uma voz bastante afinada, super comunicativo e sorridente ao máximo. O palco é exuberante e os músicos encontram-se em topo de forma.
Três dias por casa para recuperar o folgo e regressei à estrada. Ao contrário da 1ª etapa, em que realizei 4 concertos em 8 dias, desta vez teria 6 concertos em 10 dias, agrupados em grupos de 2 dias seguidos. Apesar do cansaço que a primeira leg me trouxe não pude descansar muito, e dia 23 parti para mais esta aventura.
Primeira paragem em Kassel, uma pequena cidadezinha no coração da alemanha, literalmente perdida no fim do mundo. Só para terem uma ideia a viagem de comboio demorou 5 horas e tive de mudar 2 vezes de comboio, apenas para realizar 200 kms.
No dia seguinte tive de percorrer mais 20 kms para chegar a um descampado em que a erva e a lama reinavam e os fans que esperavam na fila tentavam-se aconchegar nos carros que tinham levado. O frio tambem nos fez companhia nesse dia e com a fila a aumentar a cada hora chegou finalmente a hora do concerto.. Sobre este penas digo que foi mais curto que o habitual, mas bastante intenso. Com surpresas como o Raise your hands a abrir, o These Days no main set, o Garageland que apareeu pela 2ª vez e o Wild in the Streets que se extreou na Europa em 2006. Apesar do imenso frio e da lama que banhava todo o recinto a banda tratou-nos muito bem.
Após o concerto fui de boleia de carro até Nijmegen, a cerca de 300 kms a norte, já em terras da Holanda. Chegámos passava das 4 da madrugada, quando chovia intensamente e já cerca de 50 fans se encontravam na fila para o concerto. O dia passou rápido e num Parque imenso que me fez lembrar o concerto de Hyde Park, Londres em 2003, com mais de 60 mil pessoas para celebrar a música dos nossos rapazes. Foi um concerto memorável. Estrearam o Bed of Roses (versão acústica This Left Feels Right, TLFR), o I'll be There for u (também TLFR), o Welcome to Whatever you are e o Complicated para minha grande satisfação. O Sat. Night teve um interlude comovente com um discurso de 5 minutos em que o Jon se deixou levar pela emoção e gritou em plenos pulmoes "I'm Alive"... Sem palavras.
Depois de um dia de viagem para sul em direcção a Estugarda, tivemos oportunidade e assistir a um concerto bastante bom. Como o comboio passava mesmo ao lado do recinto era engraçado ver o Jon a dizer adeus aos passageiros. O momento alto em que todos os corações se derreteram deu-se quando depois de toda a banda se despedir o Jon e o Richie sozinhos voltaram com as suas guitarras acústicas e a pedido de fans que tinham banners a pedir a musica, entoaram o hino dos adolescentes, a música dos bailes de finalistas, a balada que tantos corações tocou: never say goodbye. Fenomenal......
Em direcção a Munique de carro já em pleno dia 28, podemos assistir de uma outra perspectiva ao espetaculo dos de New Jersey, já que fomos contemplados com a possibilidade de ir ao palco durante 3 músicas.
A vista era impressionante quer de trás do Pit, podendo ver todos os efeitos visuais que o palco possui, quer no palco, onde assistimos às interpretações das músicas In these Arms, Have a Nice Day e Who Says you can't Go Home, com o Jon e o Richie a irem cumprimentar as minhas compatriotas. O Tico e o Jeff reconheceram-me de outros concertos e o Richie também fez-me sinal. Foi extraordinário ver 75 mil pessoas a cantarem e a delirarem com a nossa banda em plena acção.
Mais tarde tentámos a nossa sorte e conseguimos de novo ir ao palco, desta vez durante o Bad Medicine, Raise Hands e Livin' on a Prayer. Sem palavras, o jon foi de novo cumprimentar-nos e desta vez olhou bem nos nossos olhos. Que mais podiamos querer? O chão tremia dos saltos que todos dávamos e a atmosfera não podia ser mais vibrante quando descemos.
Para o encore estavam resservadas os melhores momentos da noite: a surpresa da torné: dry county, um Keep The Faith durante o qual passaram imagens do jogo dos Philladelphia Soul, equipa da liga de salão de Futebol Americano de que o Jon é dono. Durante esta música o jon inclusivamente mandou a maracas para o ar e se esqueceu de cantar o 2º verso (momento hilariante), culminando o concerto com um final apoteótico ao som da melhor versão que alguma vez ouvi do hino These Days, prolongado para que todos os músicos fossem apresentados num tom de fade out para que o publico se apercebesse de que o fim tinha chegado.
Seguimos em direcção a Insbruck e ao frio dos Alpes. Para quem não sabe, esta pequena cidade fica num vale rodeado por grandes montanhas, e foi neste concerto que a neve nos pregou uma partida. O highlight do show foi mesmo o discurso do Jon durante o Story Of my Life: "Let's imagine it's summer time... girls with their bikini tops.... ice creams.... that's what New Jersey feels like this time of year" as palavras não são exactas mas foi extraordinário apercebermo-nos da intensidade com que o vocalista vive os concertos. Aliás o vocalista riu-se bastante para nós principalmente quando leu um banner muito a propósito que tinhamos feito a dizer: "Portugal: Sunny, 95º F! You don't wanna miss it next time" - 95 F corresponde a 35º C - e não foi o único, quer o Bobby quer o Hugh de certeza que desejaram vir até ao nosso solarento Portugal quando sorriram depois de o lerem também.
Apesar de um inicio bastante energético deste concerto, o mau tempo fez com que a banda não abrandasse o ritmo, não tocando mesmo a balada i'll be there for you, e acabasse o concerto com grande pressa. O próprio jon nem andou pelas catwalks e mal se dirigiu ás laterais do palco.
Mal o concerto acabou seguimos de carro sob a neve de uns Alpes que nos fizeram dizer Adeus à Austria e nos receberam já em terras Suiças. Em Berna as forças já eram poucas e foi depois de uma entrada 5 horas antes do concerto começar, que nos despedimos da banda por terras da europa continental. Desta vez fiquei na segunda fila entre o jon e o Bobby, com a banda a protagonizar um espetaculo bastante bom, sem grandes surpresas no entanto. Os momentos altos foram mesmo o Complicated e a emocionante performance do I'll be There for you. Não sei se era pela posição previligiáda que ocupava, mas pareceu-me a melhor interpretação do Sr Sambora deste clássico dos broken hearted. Com o Keep the Faith despediram-se e finalmente todo o cansaço veio ao de cima e as horas de sono que podemos usufruir no dia seguinte foram poucas para resuperar.
Depois de uma viagem com uma belissima paisagem de montanhas, lagos e pequenas aldeias numa Suiça perdida no tempo, chegámos a Geneve onde o avião nos esperava e 3 horas depois estávamos de regresso ao calor e ao Sol que tão bem caracterizam este nosso Pais.
"I've seen a milllion faces and rocked 'em all", nunca o tema Wanted fez tanto sentido. Depois de viajar noites seguidas de carro, comboio ou avião, esperar infindaveis horas para finalmente disfrutar cada uma daquelas 2 horas e meia de concerto. Foi sem duvida uma experiencia alucinante, em que nem sequer faltou uma mudança constante de clima, já que vimos sol, chuva, frio, neve e calor. Tudo nos aconteceu. Estes foram os dias em que não sabiamos se era domingo ou 4ª feira, se o mês estava no inicio ou a meio, se estávamos na Alemanha, Suica, Holanda ou Austria, já que o Alemão e o Holandes são línguas tão estranhas para nós. Um dia de cada vez, e noite apos noite algo mais forte que fazia-nos seguir em frente e percorrer os kms que faltavam até a cidade seguinte. Quer sozinho ou acompanhado, no meio de cidades perdidas no tempo ou em metropeles cosmopolitas, de norte a sul, ocidente a oriente, no cimo das montanhas ou na planicie. Na lama ou no alcatrão, num estádio ou no meio da cidade, "we don't know where they're going... we all know where they've been".
Estávams todos a seguir o sonho dos nossos "Last men standing"...
Uma semana de descanso e o UK serviu de anfitrião para a derradeira leg desta torné. Southampton foi um concerto que apanhei um escaldão, sim é verdade, em Inglaterra apanhei um escaldão. Pela primeira vez dormi à porta do estádio e consegui ter a minha melhor posicao: 1ª fila entre o Jon e o Richie.
Desta vez pude ouvir pela 1ª vez o Rockin' all over the world, e Jumpin' Jack Flash, este último no meio de um Sleep when I'm Dead muito divertido. O Dave cantou um verso do In These Arms e o Jon agradeceu muito e disse para nos prepararmos para as duas noites seguintes.
Depois do concerto, bem foi um stress tremendo, perdi-me na cidade a tentar encontrar o caminho para a estação de comboios, e só com uma estrelinha muito grande apanhei o comboio. A minha sorte não se ficou por aí, pois em londres o comboio para Milton Keynes partiu pelas 02:00, ao contrário da 01:30 marcada - diga-se que eu cheguei à estação pela 01:38. Pelas 4:30 já me encontrava em Keynes para encontrar a reforçada comitiva Lusa.
Depois de no dia 10 correr até Londres e voltar a MK para ir levantar o bilhetes do dia seguinte, e de uma enorme confusão na fila do concerto, fiquei numa 4/5 fila entre o Jon e o Hugh, para assistir à primeira de duas noites memoráveis. O inicio deu o mote e com raridades como The Boys are back in Town, I feel Good, Papa was a Rolling Stone, ou o inesperado Livin in Sin a emoção tomou conta de mais de 70 mil
pessoas. Mais do que as músicas, as interpretações foram fenomenais. Os gritos histéricos, aquele coro de vozes a cantar o Prayer, uma magia pura tomou conta do recinto. A interpretação do Sat Night foi brilhante com o coração do vocalista a dizer toda a verdade que a música transporta.
Depois de uma noite mal dormida e de muita confusão com a fila, o segundo espetáculo surpreendeu-nos por ter um Rockin in the Free World, Wild in the Streets, Always TLFR, Everyday, Bounce, These Days e, a favorita dos fans, Blood on Blood. O Faith teve como na 1ª noite em Dusseldorf uns gritos selvagens e um Simpathy for the Devil arrancado a ferros, já que o Hughey não se percebeu quando o Jon lhe fez sinal. E mais que tudo isto a interacção da comitva Portuguesa que estava na 2ª e 3ª fila, com o Jon a sorrir inumeras vezes para os diversos banners que tinhamos. Inclusivamente a fazer um OK com o dedo quando estendi o banner a dizer "I Believe", apesar de não chegarem a tocar a musica com esse título.
Dizendo adeus a maior parte dos Portugueses, partimos um grupo mais pequeno para o derradeiro concerto, no fim do mundo que dá pelo nome de Hull. E não há muito para dizer, excepto que o Jon estava de muito mau humor, que o concerto foi a dispachar e que todos ficaram irritadissimos com esse facto. Para mim e apesar de nao ter ficado contente, confesso que a musica Who says you cant go home deste concerto foi para mim um dos highlights desta torne. Como já referi, a letra ganhava um novo significado e sem me conseguir controlar foram as lagrimas escorridas pelo meu rosto, a voz solucante e o tremer do coração que me acompanharam durante esta canção.
"Been there done that,
i aint looking back,
it's been a long long road,
seems like i never left,
and so the story goes.
It doesn't matter where you are,
it doesn't matter where you go,
if it's a million miles away,
or just a mile up the road,
take it in,
take it with you when you go...."
E assim foi durante 1 mês. E agora era tempo de regressar a casa, apesar de sentir que aquele ambiente, aquela banda, aquela magia já se tornaram para mim uma lar também.
De volta a londres tive tempo de ver um Jon a andar sozinho na rua e a assenar-me com um sorriso. Apesar de não lhe ter dirigido a palavra é recomfortante saber que o nosso heroi sabe que existimos, quem somos, e nos presenteia com um gesto de simpatia.
Mais tarde os simpaticos Tico e Jeff também passaram por nós, com o 1º a assinar os nossos cds. Minutos depois, um Jon carrancudo deixou o hotel na companhia de varias pessoas nas quais se encontravam o Dave e o Hugh, tendo o Dave assinado a minha cópia do seu disco a solo "On a full moon". Depois disso só deu tempo de jantar, correr para o aeroporto, e finalmente descansar.
Hoje, ao escrever estas linhas, é dia 15 de Junho de 2006, 5ª feira, exactamente 11 anos sobre o concerto de Lisboa, que foi numa 5ª feira igualmente, e durante o qual um rapazinho de 12 anos estava colado ao radio a ouvir religiosamente a emissão da Antena 3, em que pedaços do concerto eram transmitidos. Esse rapazinho estava a descobrir a música, mas já tinha bem fincado no coração a banda que para sempre o consolou, o acompanhou, o fez crescer em emoções e em caracter. Esse rapazinho encontra-se hoje aqui, acabado de realizar o sonho de acompanhar a sua banda por terras do velho continente, e com a consciencia de que apesar desta demanda ter chegado ao fim, a aventura está apenas no início, pois o fogo que esta banda
transporta ilumina não só o caminho desse rapaz que se fez homem, mas de todos os que acreditam nos sonhos, os quais esta banda não se cansa de cantar.
Tal como o Jon diz:
"I don't say goodbye, I say goodnight my friends".....
Amsterdão, 2005
Apresentação do álbum "Have a Nice Day"
Era dia 16 de Setembro de 2005 junto ao Heineken Music Hall em Amesterdão, na Holanda, e o tempo passou ao som do novo álbum (no meu leitor de mp3) e com uma organização inicial em tudo idêntica à de Hyde Park 2003.
Quando o tempo se começou a esgotar e formámos a fila final, todos encostados uns aos outros, o nervoso miudinho apoderou-se de cada alma e fez-se notar de forma cada vez mais intensa até ao momento em que as portas se abriram e todos corremos para ocupar a melhor posição possível. Fui obrigado a parar por alguns segundos e a ser revistado, mas consegui ganhar uma posição na segunda fila, bem em frente do David e do Hugh. Felizmente uma das minhas amigas conseguiu ficar mesmo ao meu lado - apesar de termos esperado e guardado lugar para outra amiga, o destino trocou-nos as voltas, mas a felicidade por ela descrita pela experiência vivida e que ela contou posteriormente reparou este infortunio. E assim passaram-se mais duas horas até que após uma banda de abertura (que soube aquecer algumas vozes), as luzes se desligaram e o momento mágico chegou.
Last man Standing deu o mote, e que melhor forma de arrancar o espetáculo! A banda entregou-se, o público entragou-se e numa questão de segundos, a magia começou: os corpos a vibrar; as coreografias; as vozes que acompanharam a banda em todos os versos e que encheram os refrões com uma côr arco-íris de palavras que não são apenas daqueles que as escreveram, mas de todos aqueles que partilham o sonho.
Seguiram-se os tradicinais Bad Name e Prayer que tiveram uma recepção calorosa e mantiveram o clima em êxtase.
Durante estes primeiros temas tentei sempre elevar o cachecol de Portugal, atitude que foi recompensada com a menção do nome deste país na reduzida lista que o jon agradeceu a presença. Não há palavras que possa escrever que por perto consigam transmitir a alegria e felicidade que aquela palavra de 3 sílabas pronunciada pelo meu ídolo me fez sentir. Orgulho, realização, emoção. Tudo passou pelo meu estado de espírito.
Em seguida foi tocada Born to be my Baby, da mesma forma que foi tocada em 2003, seguindo-se o primeiro single, que provou ter força ao vivo e uma aceitação imensa por parte dos presentes. Com It's my Life o clima de comunhão sentido teve continuidade.
Radio e Someday fizeram o concerto ganhar um novo elemento de tom emocional e melódico devido à presença do acústico na interpretação dos temas.
Logo de seguida o hino transformou essa mesma atmosfera numa loucura salutar e colectiva que todos sentiram ao pronunciar uma das mais tradicionais frases da história do Rock'n'Roll: "I've seen a million faces / and I've rocked them all".
WHO SAYS YOU CAN'T GO HOME foi o terceiro e último novo tema a ser tocado tendo uma reacção bastante agradável do público que logo adoptou a coreografia do Capt Crash e entoou o "It's alright" fazendo advinhar que este poderá ser uma daqueles temas em que há uma muito cúmplice e intima relação entre a banda e o público. A parte final, em que apenas o Jon e o público entovam a composição, reforça ainda mais o sentimento acima descrito.
A partir desse momento podemos ouvir Raise your Hands, Sleep (sem que o jon tocasse guitarra) e Faith, este último com uma performence extraordinária que deu por encerrado o main set.
Para o encore foi deixado o mais que conhecido Medicine, o que me deitou um pouco abaixo pois fazia-se advinhar que o tempo do concerto se estava a esgotar.
Após a despedida da banda senti que tudo tinha passado à velocidade da luz e que o super profissional que nos entreteve impôs um piloto automático à ultima parte do show que tirou algum brilho ao espetaculo, facto que foi assentuado pela escassez de temas novos - em especial do meu tema de eleição, Welcome to hatever u are, e àquele pelo qual gritei inúmeras vezes, complicated.
Não restava nada a fazer ali, apesar de estarem a vender o novo album e da festa que começava ao som rock numa discoteca improvisada. E por isso reunimo-nos ao grupo de compatriotas que partilhou a experiência deste concerto. Com a sensação que durou pouco e que faltou qualquer coisa, enchi o peito de esperança pois assisti a um show profissional a 200% que me faz querer ouvir mais, muito mais do album que agora está a chegar. Que me fez sentir a magia e a paixão de fan do grupo de Rock que mais me realiza; sorrisos me provoca; e que no fundo nos últimos 10 anos, de uma ou outra forma, esteve sempre presente nos dias da minha vida.
Espanha 2003: os primeiros concertos
É dificil para mim exprimir o que esta experiência foi, por issso, o melhor mesmo é contar como tudo começou....
Decorria a época natalícia de 1994 e eu era um rapaz de 12 anos que estava a descobrir o mundo da musica pela primeira vez tendo, uma música em particular me despertado a atenção. Ela não parava de tocar na rádio, e como que influênciado por essa melodia pedi como prenda de natal o album que incluia tal composição. O album tinha como título Crossroad e mal podia eu saber o verdadeiro sentido que este título viria a adquirir na minha vida.
A primeira vez que escutei o album senti algo de completamente novo, pois pela primeira vez identifiquei-me com todas as músicas no album incluidas, devido à intensidade, emoção e realismo com que eram interpretadas.
Seis meses mais tarde a banda veio a Portugal para dar um concerto e promover o album que sairia dai a poucos dias, mas devido à minha tenra idade e ao facto de viver demasido longe da capital, não pude ir ao concerto, o que não impediu que tivesse estado o dia todo colado ao radio a ouvir a reportagem que estava a ser feita.
Quatro dias depois adquiri o album que viria a confirmar a minha devução a estes senhores do Rock, um disco que de táo simples e tão suigéneris superava todas as minhas espectaivas. Com letras de tal ordem profundas que me identifiquei desde a primeira vez que as ouvi e com uma intensidade musical que me faziam (e ainda fazem) vibrar até à ponta dos cabelos.
Depois desse disco comecei a adquirir os discos antigos, coleccionar singles e gravações audio e video da banda. No entanto e apesar das digressões posteriores de 1996, 2000 e 2001 Portugal não constou na agenda, por isso em 2003, quando mais uma torne sem passagem por terras nacionais estava anunciada tomei a decisão de partir e ir vê-los algures na Europa. Em Março desse ano foram anunciados 2 concertos na vizinha Espanha e ví então a minha oportunidade de realizar um sonho: ver os Bon Jovi em concerto.
#1 -19-05-03 Lisboa->Madrid->Barcelona
Deixámos a estação pelas 22:00 do dia 18-05-2003 e durante as 17 horas seguintes a tentativa de dormir foi sempre um desafio impossivel de concretizar devido à excitação. Dez horas após a partida chegámos a Madrid onde ficariamos apenas por 30 minutos, depois dos quais já estávamos noutro comboio, desta vez com destino a Barcelona.
Pelas 16:10 chegámos finalmente a Barcelona, onde procuràmos de imediàto o hotel onde ficariamos. Depois de alguns minutos de descanso fomos vizitar as lojas de música da capital da catalunha onde adquirimos várias versões do último single dos Bon Jovi: All about Loving you, daí fomos directos ao pavilhão onde no dia seguinte se realizaria o concerto, procurando cuidadosamente pelas entradas. Nesse nosso percurso tivemos a oportunidade de trocar algumas palavras com um dos condutores dos vários camiões que transportavam o palco e todo o aparato que a banda tinha trazido para estes concertos.
Pouco tempo depois o tempo começou a piorar e em breve a chuva tomou conta da cidade, pelo que regressámos ao hotel ....
#2 20-05-03
Levantàmo-nos pelas 5:30, chegando à porta do recinto às 6:45, onde cerca de 30 fans ja estavam à espera.
Pelas 10:30 as portas principais que davam acesso à entrada do pavilhão foram abertas e a correria começou. Todos queriam ficar o mais à frente possivel na fila seguinte por isso a confusão instaurou-se em menos de nada. No entanto fomos informados de que a entrada dos membros do clube de fans seria noutro siteo pelo que, nos dirigimos lá, onde esperámos durante 9 longas horas pela abertura das portas do recinto.
Enquanto esperávamos pela hora da entrada, fizemos tempo, conversando ou vendo o merchandising que a pouco e pouco foi colocado à venda perto do recinto.
Pelas 19:00 os organizadores do concerto permitiram a nossa entrada, sem no entanto permitirem qualquer tipo de correria. Assim, consegui ficar mesmo na primeira fila do lado direito do palco, mesmo em frente do David e do Hugh, teclista e baixista respectivamente.
Durante as duas horas seguintes ficamos a a conversar até a magia começar:
O concerto começou com a intro já por mim conhecida, visto que já tinha tido a aportunidade de escutar alguns dos concertos da torné norte americana ocorrida 2 meses antes. Todos eles apareceram de diferentes partes do palco, aparecendo o Jon numa porta de um elevador colocada mesmo entre a bateria e os teclados. Tudo estava pronto e assim foi, Bounce deu início ao concerto com uma energia incalculável e logo as 16 mil pessoas que enchiam por completo o pavilhão começaram aos saltos e em unisúno pela banda e público a música foi interpretada.
Seguiram-se 3 clássicos do album de maior sucesso da banda: Slippery When Wet, respéctivamente You Give Love a Bad Name, Wild in the Streets e Livin' On a Prayer, este último levando ao delírio devido à elevada carga emocional que tansporta.
Em seguida um sorridente Jon saudou a audiência dizendo que depois do concerto acústico dado no ano anterior eles tinham mesmo de regressar para um concerto completo e anunciando o ultimo trabalho de originais deu sinal para que o primeiro single: Everyday fosse tocado. Seguiram-se Undivided e Keep the Faith, que em conjunto souberam ainda melhor ao público, uma vez que as duas primeiras reflectem o 11 de setembro, sendo a última um grito de esperança lançado em 92 aquando das manifestações ocorridas nos EUA. Desta forma a mensagem não podia ser mais clara: a esperança nunca morre e mesmo nos tempos difíceis temos de acreditar no amanhã.
Wanted Dead or Alive, o hino da banda seguiu-se com a audiência a cantar sosinha toda a primeira estrofe e primeiro refrão, tal como diz a música: "i've seem a million faces and i've rocked them all", o que mais uma vez se veio a verificar.
Os êxitos não paravam e chegara o momento para mais uma música nova: the Distance, seguida da mais que conhecida It's my Life onde o calor intenso inundou por completo o pavilhão fechado e uma moldura humana de dimesão impressionante saltou até mais não poder.
O êxito do momento, Misunderstood foi tocado logo em seguida, sendo acompanhada pelos coros do público. Someday i'll be saturday night seguiu-se com um verso extra e e um final estonteante.
Nesta parte do concerto todos os músicos deixaram o palco à excepção do David, teclista, que sosinho interpretou um solo magnífico, servido este como introdução à balada Right Side of Wrong que foi interpretada por toda a banda com bastante emotividade. Para mim foi sem dúvida um dos momentos mais altos da noite, pois a intensidade com que a interpretação foi feita conseguiu transmitir a sinseridade das palavras e da simplicidade sempre bela das notas tocadas.
Após este momento, o Jon apresentou Richie Sambora, guitarrista, que interpretou uma versão muito blues do velho clássico dos anos 80 "I'll be there for you". Durante esta torné o Richie tem tido o seu momento no concerto através desta música e na minha opnião trata-se de um bom bónus pois, a canção foi revitalizada e o Richoe tem oportunidade de demonstrar todo o seu carisma não só como guitarrista, mas também como interprete, talento esse muitas vezes ofuscado pela presença forte do Jon.
Em seguida o Jon entrou em palco pedindo ao público para que com ele darem salvas ao Richie, pelo que o público respondeu afirmativamente gritando o seu nome. E neste momento quando o Richie vê toda a gente a gritar o seu nome, não consegue esconder um grande sorriso em direcção ao público, agradecendo através de uma vénia.
Blaze of Glory, o êxito solitário de Jon seguiu-se, muito honestamente era uma música que eu dispensava ouvir pois pertence a um dos albuns a solo de Jon, mas nesse instante em que o Jon e o Richie fazem a introdução da música nas suas guitarras apercebi-me do sorriso cúmplice que ambos trocavam e que só poderia demonstrar a intensa amizade que os une, construida à custa de muitos anos compondo e tocando juntos.
Runaway, o primeiro dos êxitos da banda foi tocado em seguida, o que foi bastante agradável visto que a música, assim como a banda, encontra-se a fazer 20 anos de carreira.
Seguiram-se Born to be my Baby, com um final duplo estonteante, I'll Sleep When i'm Dead, sempre um momento bastante divertido do concerto e Raise your Hands que culmiou o set principal, com uma resposta espetacular por parte do público que sempre que requerido ergueu as mãos e cantou como solicitado pelo frontman de serviço.
Segui-se uma pequena pausa de 2 a 3 minutos, depois da qual foi iniciado o primeiro e único encore dado pela banda.
In These Arms, um sucesso de 93 foi o elemento que faltava para o concerto ganhar ainda mais emotividade (se é que ainda era possivel), esta música alia a força dos riffs à simplicidade das suas palavras e como não poderia deixar de ser, o público sentiu-o e levou ao rubro a interpretação.
Os sempre divetidos Captain Crash & the Beauty QUeen form Mars, acompanhado pela já tradicional coreografia, Bad Medicine e Shout encerraram o concerto com toda a energia possível, uma vez que estas duas ultimas músicas apelam a todas as forças do público para darem o seu máximo.
Finalmente toda a banda se dirigiu à boca do palco e em conjunto agradeceram a um público espantoso e incansável que, durante duas horas e quinze minutos não deu descanso à banda, obrigando esta a dar o seu máximo.
Logo após o concerto as emoções eram muitas e alguns de nós fomos ao hotel onde a banda estava instalada tentar a nossa sorte, no entanto chegámos pouco depois deles e por isso não nos foi possível tomar nenhum contacto.
#3 Barcelona->Madrid 21-05-03
Levantàmo-nos pelas 8:30, e a camiho da estação de comboios de Barcelona conseguimos comprar alguns jornais que reportavam o concerto d noite anterior.
Às 10:30 apanhamos o comboio, chegando a Madrid pelas 17:00.
Depois de largos minutos à espera de um metro que, devido a interrupções na linha, nunca mais chegava e a uma hora de intensa procura pelo hotel, fomos ao hotel da banda onde fomos informados que esta ainda se encoontrava em Barcelona, pelo que, aproveitamos o resto do dia para passear e fazer compras.
O dia chegou ao fim cedo, pois combinámos levantarmo-nos pelas 5:00. Mais um dia chegava ao fim, mas a emoção de saber que mais um dia especial chegaria foi tanta que o sono apareceu ao de leve nas poucas horas de descanso.
#4 22-05-03 The gang's all here
Às 5:20 já estavamos no estádio e verificamos que desta vez havia apenas 10 pessoas á nossa frente, e desta vez fomos logo para a fila correcta, o que nos abria grandes perspectivas para um bom lugar no concerto.
Nas palavras do Jon "It's been a long day and a hot sun" - wembley 25-06-95 - e foi o que sucedeu neste dia. Muitos fans Portugueses chegaram logo pela manha e ajudaram-nos a superar mais esta dificil tarefa que foi aguentar o calor intenso que se fazia sentir num dia escaldante de calor. Pelas 17:00 a fila começou a ser formada, sendo as duas horas seguintes de intenso sofrimento uma vez que estavamos todos em pé, ao sol.
Por volta das 19:00 a banda chegou de limosine, estando o Jon e o Richie lado a lado. Pouco depois fomos encaminhados para a entrada e mais uma vez sem correrias conseguimos quase todos um lugar na primeira fila.
As portas do publico, que não era sócio, abriram-se pouco depois e, alguns dos nossos amigos poderam então entrar e gostaria de realçar a coragem deles, que mais do que ninguem revelaram um espirito de sacrificio e um amor à banda maior que qualquer um de nós, pois o "aperto" foi bastante intenso e só a perseverança de poder ver os seus idolos os fez continuar.
Uma banda local Espanhola fez a primeira parte sem grande relevo, pelo que,pelas 21:00, os nossos idolos subiram ao palco.
A banda entrou em palcou da mesma forma que o tivera feito havia dois dias mas, desta vez um estádio de trinta mil pessoas esperáva-os em apoteóse.
Apesar do alinhamento das músicas ser bastante semelhante ao do concerto de Barcelona, a sensação foi completamente diferente por se tratar de um espáço mais amplo e em que outro tipo de energia, menos intimista e mais "selvagem", percorria o recinto.
Assim Bounce deu início às hostilidades, seguido de you give Love a Bad Name, Wild in the Streets e Livin on a Prayer. Em qualquer uma destas músicas era perceptivel a voz do público que com a banda comungava de uma experiência única que apenas o rock'n'roll pode oferecer.
Logo de seguida a saudação inicial, desta vez na língua nativa, "Buenas Noches Madrid", e anunciando que 7 dias por semana eles estariam sempre ali, Everyday, Undivided e Keep The Faith reforçaram ainda mais o espírito contagiante que se vivia. A música Undivided, tal como em Barcelona, foi precedida de uma pequena introdução que deu mais intensidade à interpretação e desta vez até o Jon deixou o público cantar sosinho alguns dos versos desta faixa sobre o ressurgir do espírito mundial após os atentados de 11 de setembro.
Wanted Dead or Alive foi o meomento que se seguiu no que fez lembrar um filme do far oeste, simplesmente brilhante.
Em The Distance mais que nunca as bandeiras Portuguesas viram-se nas primeiras filas onde cerca de 30 pessoas originárias deste país disseram presente e assinalaram Portugal e o poema ganhou um novo significado, pelo menos para os viajantes destemidos que lá se encontravam.
It's My Life e Misunderstood deram ao público a oportuniadade de participar ainda mais num espétaculo que vivia da comunhão entre a banda e o público. Na realidade a cada música que a banda entoava o público respondia cada vez com mais força e uma energia inesgotável.
Seguiu-se Someday I'll Be Saturday Night e Just Older, onde durante o segundo verso ambos, vocalista e guitarrista, ficaram de ombro em ombro dando sentido às palavras proferidas: "we got secrets that we'll take to the grave, and we stand here shoulder to shoulder".
Chegado ao momento de Richie cantar, Jon fez questáo de o apresentar em espanhol pedindo alguma ajuda para a tradução, que soou mais ou menos como: "me amigo Ricardo vai a cantar una composision I'll Be There for you. .... en espanhol", o que agradou visivelmente ao público presente.
Mais uma vez o público tratou muito bem o Richie correspondendo à parte que toda a banda pára de tocar e se ouve apenas a voz da audiência a cantar.
Blaze of Glory, Born to be my Baby, Sleep When I'm Dead e Raise your Hands mantiveram a temperatura escaldante e os ânimos elevados, encerrando mais uma vez o set principal.
Depois de uma breve pausa seguiu-se a grande surpresa da noite, quando David ao piano tocava as notas iniciais eu só olhava para os meus amigos e gritava, era verdade, a música que representa o album que me fez gostar de Bon Jovi estava a ser interpretada à minha frente, These Days, e a emoção foi enorme pois as músicas deste album são extremamente raras de serem ouvidas dado o seu intimismo.
Este foi sem dúvia o momento maior de toda a minha viagem, ali comungámos de um momento mágico que palavras que o descrevam não fazem qualquer sentido quando comparadas à franquesa e unicidade que o momento teve, foi sem sombra para dúvidas o momento da noite e como o tema diz: "These Days the stars ain't out or reach", e eu tive a oportunidade de modificar o pequeno trecho "don't you know than" NOT "all my heroes died", foi simplesmente brilhante....
Captain Crash & the Beauty Queen from Mars provocou mais um momento de alegria visto ser uma música com uma coreografia muito específica, seguindo-se o êxito dos anos 50 Twist & Shout numa onda muito ROck'&'Roll à la Elvis.
Bad Medicine e o já conhecido Shout, mais uma cover clássica encerraram com uma energia simplesmente contagiante que não deixou ninguém sair sem um sorriso de orelha a orelha.
Promenores técnicos sobre os concertos posso encontrar os problemas com a guitarra do Richie durante o It's my Life em Madrid, que teve de ser substituida, assim como com o Microfone do David durante a interpretação do I'll Be There for You, mas tudo pormenores por completo irrelevantes quando comparados com a esmagadora performence do quarteto de New Jersey.
Durante ambos os concertos tive ainda a oportunidade de ver mais de perto a performence do David e do Hugh, uma vez que em ambos fiquei mesmo à sua frente, e devo dizer que ambos, mas principalmente o David, são uma simpatia, não se cansando de sorrir e fazer sinais de retorno aos fans das filas mais à frente.
Depois de encontros e desencontros conseguimos todos por fim chegar ao hotel onde descansei por fim, a minha missão tinha terminado e por mais pateta que possa parecer eu senti-me um miúdo mais feliz do mundo por ter tido o previlégio de sentir a energia que as emoções podem produzir numa música de quatro minutos.
#5 23-05-03
Acordámos pelas 8:00, estando às 10:00 à porta do hotel da banda onde sorrateiramente conseguimos entrar, no entanto não tive muita sorte ao invés de duas amigas que conseguiram chamar a atenção e recolher uma imagem ao lado do baterista Tico Torres.
O resto do dia foi passado a passear por Madrid, uma vez que o comboio só partia à noite. Assim tivemos tempo de conhecer um encantador jardim, assim como algumas lojas de música.
Mais um promenor que vim a reparar ao longo do dia, foi que tinha perdido por completo a minha voz, sim, a intensidade do concerto fez com que eu desse 101% e esse 1% ficou-me com a voz dos dias seguintes, o que se revelou caricáto uma vez que a minha comunicação com o resto do pessoal se tornou algo complicada, além do que todo o meu corpo se ressentia de dias de pouco descanso e muita enrgia dispendida.
Quando consegui cair no banco do comboio, assim fiquei por algum tempo, pois estava mesmo esgotado, mas a pouco e pouco as energias foram voltando e a viagem foi bastante divertida dado que vinhamos um grande grupo e o sentido de humor reinou até à chegada.
Por fim, o regresso ao mundo de todos os dias, mas no meu peito a certeza de que a aventura vivida dava novo ânimo a um ser que se encontrou e que com esta experiência cresceu mais um pouco no caminho para o seu Eu.
PS: Este relato acompanhado de fotografias pode ser também encontrado em: http://badname.zxq.net/archives/2003/2003BJSpain/
10 maio 2009
Hyde Park, Londres, 2003
Uma noite inesquécivel no meio de 92 000 pessoas
Fiquei na segunda fila, entre o Jon e o Richie - mas mais para o lado do Jon - o que me proporcionou uma experiência única. Com 2 camaramans e um palco da torne gigantesco e espectacular, às 19h comecou a magia.
A musica "Bounce" começou e, imediatamente, apercebemo-nos que havia algo de especial naquele fim de tarde. Segui-se o "You give love a bad name", "runaway", "Prayer", "lay hands" (sem a introducao de bateria) e "faith" (com o sympathy for the devil no meio) depois dos quais o o jon saudou o publico (ele falou em 92 mil pessoas). "Everyday", "Undivided", "wanted", "distance", "my life", "misundertood", "there for you" (richie - com a ava em palco), "arms", "someday", "older" (talvez não por esta ordem) seguiram-se como no resto da torne.
Depois do "Born Baby" tocaram uma versão de 10 minutos do "sleep", com 2 musicas no meio: "Dancin in the Streets" e a versão completa do "Rockin all over the world" - este foi um dos momentos altos, pois eles não paravam de tocar. O "raise your hands" fechou o main set, de uma maneira bastante energética. Bom, mas o melhor estava reservado para o encore. Enquanto eles não apareciam, o publico começou a cantar a parte do "Ohhh oohhh ohhhh" do "ill be there" criando a atmosfera necessária para o regresso.
O encore trouxe momentos como o dueto com o Ray Davis numa cover do classico "LOLA", "Blood on Blood" (numa versao igual à do album - completamente elétrica e com muita garra), "I got the Girl" - mais uma vez com a pequena Ava (filha do guitarrista Richie Sambora), e a Stephanie (filha do vocalista) em palco, e o jon a dançar com elas como um doido - e as já conhecidas "Bad Medicine" e "Shout" - durante esta última o jon aproveitou para apresentar a banda, assim como agradecer a toda a crew que montou tantas vezes o palco gigantesco, depois de tanto esforço no dia seguinte eles iriam regressar para as suas famílias, e claro, ao espantoso publico de London town, que mais uma vez disse "presente" e escreveu mais uma pagina de gloria na historia, já de 20 anos, dos Bon Jovi.
Após agradecerem o publico gritou em uno "WE WANT MORE, WE WANT MORE", ao que o Jon deu sinal ao David e ouviu-se entao o "THESE DAYS" - momento muito muito especial, pois todos sabiam a letra e a banda estava muito contente a toca-la. Segui-se o "Captain Crash", com a habitual coreografia - apesar de já ter sido tocada vezes sem conta foi especial ver que todo o publico participava de uma forma extraordinária. 90 mil pessoas a abanarem as mãos e algo notável. "Twist & shout" levou toda a audiência ao anos 50, pois ninguém ficou indiferente ao seu ritmo
Quando a banda se tentou despedir novamente o publico repetiu a frase já entoada antes e o jon depois de consultar as horas soltou a frase: "fuck it, lets keep playing" ao que se seguiu o mais que emocionante e perfeito final "Never say goodbye", numa versão acústica ultra-lenta, com emoção desmedida, levou o publico ao rubro.
O jon a certa altura agradeceu por 20 anos de lealdade, pois desde 84 que os Bon Jovi iam a Londres tocar, e sempre lhes proporcionaram momentos altos na carreira da banda.
3 horas depois de começar, o vídeo final, mostrado em todos os concertos, com o extra de um fogo de artificio soberbo, encerraram uma noite mais que perfeita de puro Rock 'n' roll, onde mais uma vez se provou que nobody rock's like Bon Jovi:)
A opinião era unânime, todos estávamos rendidos a colecção de musicas apresentada e, mais do que isso, a extraordinária prestação da banda que todos adoram.
No final, as dores vieram ao de cima, pois tínhamos passado muito tempo, primeiro ao frio, depois ao calor... mas apesar de tudo isso, tínhamos todos um sorriso estampado no rosto, pois tínhamos assistido a um dos concertos que ficara para sempre ligado a historia da cidade de Londres e, claro, aos nossos ídolos.
Para finalizar este relato só posso deixar um obrigado muito especial a 4 pessoas em particular, David, Jon, Richie and Tico, obrigado por fazerem 92 mil pessoas sonhar como se estivessem a olhar para cada um de nos em especial:)
28 de Junho de 2003